Os policiais que mataram por engano o brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um terrorista suicida, foram advertidos de que podem enfrentar acusações criminais, informou nesta quinta-feira a Scotland Yard.
Um porta-voz da polícia indicou que os agentes que mataram Jean Charles, de 27 anos, na estação de metrô de Stockwell em 22 de julho, um dia depois dos atentados fracassados contra esta capital, já sabem das possíveis conseqüências.
Acredita-se que dois policiais que participaram da operação de 22 de julho receberam a notificação sobre a situação, o primeiro passo de um processo disciplinar que pode levar a um julgamento.
Familiares de Jean Charles de Menezes se reunem ainda nesta quinta-feira com representantes da Comissão Independente de Queixas da Polícia (IPCC, na sigla em inglês) para conhecer detalhes da investigação sobre o incidente que custou a vida do eletricista. Os familiares devem se reunir, entre outros, com o presidente do IPCC, Nick Hardwick.
Londres enfrenta a ameaça de mais ataques terroristas, apesar do aumento da segurança após os atentados de julho na capital, disse um chefe de polícia em entrevista publicada nesta quinta-feira.
Andrew Hayman, à frente das operações antiterrorismo de Londres, afirmou que detetives estão monitorando vários possíveis suspeitos não ligados aos eventos de julho.
Quatro britânicos muçulmanos mataram 52 pessoas em ataques suicidas em trens do metrô e um ônibus no dia 7 de julho. Duas semanas depois, quatro homens tentaram cometer um ataque semelhante, mas falharam.
- Não quero ser alarmista, mas tem que ser dito, quando se olha para o mundo e para o destaque de Londres, essa ameaça é real - disse Hayman em entrevista ao jornal britânico Guardian.
- Sempre permanecemos ativos em operações secretas. Temos várias pessoas que são de interesse - ressaltou.
No começo do mês, o ministro do Interior britânico, Charles Clarke, afirmou que centenas de possíveis suspeitos estavam sendo monitorados.