Policiais civis de Sergipe iniciaram nesta sexta-feira, uma paralisação de 24 horas. Todas as delegacias do Estado irão funcionar com o efetivo mínimo de 30% de agentes. A população não poderá fazer boletim de ocorrência ou prestar queixas de crimes considerados de menor porte. Segundo o movimento grevista, apenas os casos mais graves,como homicídios e flagrantes, serão atendidos.
Durante todo o dia, os policiais ficarão acampados em frente à Secretaria da Segurança Pública (SSP). Outros agentes farão piquetes em três pontos de Aracaju para explicar à população os motivos da greve parcial.
Segundo Antônio Moraes, coordenador da Operação Padrão, um movimento organizado pelos policiais civis e que está à frente da greve junto com o sindicato da categoria, a paralisação tem o objetivo de pressionar o governador Marcelo Déda (PT) a autorizar a revisão do plano de cargos e salários dos agentes, estabelecendo uma nova política salarial.
- Queremos uma política que valorize os policiais civis que são a base da segurança pública, encurtando a distância entre as categorias. Com essa paralisação, queremos sensibilizar o secretário (Kércio Pinto) e o governo para que nos ouça e passe a discutir a pauta de reivindicações da categoria, que já foi encaminhada há um mês - justifica Moraes.
Agentes também vão parar
Neste sábado e domingo, os cerca de 350 agentes penitenciários de Sergipe também vão cruzar os braços. A paralisação foi marcada para o final de semana, quando acontecem as visitas aos presídios.
O presidente do Sindicato dos Agentes Prisionais, Antônio Cláudio, disse que desde novembro do ano passado vem tentando uma audiência com o governador Marcelo Déda para discutir problemas relacionados ao setor, mas sem sucesso. - Até hoje ele não nos recebeu. Havíamos marcado essa mobilização bem antes, mas confiamos na palavra do líder do governo na Assembléia, deputado estadual Francisco Gualberto (PT) e no vice-governador Belivaldo Chagas (PSB) de que o canal de diálogo seria aberto, mas como isso não aconteceu, deflagramos o movimento porque não dá para esperar mais - afirma o sindicalista.
Além da falta de negociação com o governo, a categoria quer a desmilitarização da direção das penitenciárias, realização de concurso público e o retorno dos agentes que foram transferidos para o Centro de Atendimento ao Menor (Cenam) pela Secretaria de Estado da Justiça, que passou a gerenciar o local.