Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Polícia tem dez suspeitos de matar animais em zôo

Terça, 09 de Março de 2004 às 18:06, por: CdB

O delegado Clóvis Ferreira de Araújo, chefe da equipe que investiga as mortes no zoológico de São Paulo, declarou nesta terça-feira em depoimento a deputados estaduais que a polícia já possui uma lista de dez suspeitos de matar por envenenamento mais de 60 animais no zôo de São Paulo.

Ao ser ouvido pela Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, Clóvis Araújo explicou que a polícia está próxima de chegar aos autores do crime e que as investigações indicam que os casos envenenamento aconteceram de forma criminosa e que os autores são provavelmente funcionários ou ex-funcionários do Parque com motivações profissionais e pessoais para cometer os crimes. A polícia acredita que mais de uma pessoa está envolvida nos crimes.

Araújo ressaltou que a polícia não descarta nenhuma hipótese, mas considera muito remotas as chances dos crimes terem sido cometidos por pessoas estranhas à Fundação Zoológico e classificou como "quase impossível" a possibilidade de o envenenamento ter acontecido de forma não intencional, como a polícia chegou a cogitar no começo das investigações.

No dia 24 de janeiro foram detectadas as primeiras mortes por envenenamento no Parque. Um elefante, um chimpanzé e um dromedário foram os primeiros a morrer. Uma semana depois, novos casos vitimaram porcos-espinhos e cotias.

Assim que percebeu as primeiras mortes, a direção do zoológico suspeitou de uma infecção generalizada. No entanto, exames de necropsia confirmam que todos os animais foram vítimas de uma mistura de raticidas legais e o veneno de fabricação e comercialização proibida no Brasil conhecido como "Mão Branca".

"Quando percebemos que havia envenenamento, decidimos pedir ajuda à polícia", explica o presidente da Fundação Zoológico, Paulo Magalhães Bressan.

Ao longo de quase dois meses de investigação, a polícia já divulgou três prováveis hipóteses para os crimes.

Hipótese 1 - Uma pessoa estranha ao zôo, teria invadido o Parque e envenenado alguns animais. As primeiras mortes aconteceram num setor próximo a uma mata.

Hipótese 2 - Ratos que consumiram raticidas nas imediações do Parque poderiam ter defecado na alimentação de alguns animais, que ao ingerir as fezes, teriam se contaminado e morrido.

Hipótese 3 - Um pequeno grupo de funcionários do Parque, conhecendo a rotina de segurança e alimentação dos animais teria envenenado as vítimas por motivações pessoais e profissionais. A polícia desconfia de funcionários que querem desmoralizar a atual direção do zoô, a fim de ascender profissionalmente ou de ex-funcionários, magoados ao serem demitidos.

De acordo com o delegado Clóvis Araújo, são remotas as chances de as hipóteses 1 e 2 serem verdadeiras. "As investigações e os laudos científicos desacreditam estas teorias", disse Araújo.

Para o Delegado, três fatores corroboram a terceira linha de raciocínio.

O criminoso tem noções de química e biologia - O autor dos crimes envenenou os animais herbívoros que têm maior resistência ao veneno. Assim, dando uma dose certa de raticida, o animal pode levar em média 24 horas para morrer, tempo suficiente para o agressor fugir e dificultar sua identificação.

O criminoso tem acesso às instalações do Parque - As mortes espalham-se por diversos setores do zôo, inclusive em áreas restritas onde o público não tem acesso.

O criminoso conhece bem a rotina de segurança do Parque - As mortes mais recentes ocorreram depois que o zôo reforçou a segurança no local, implementou câmeras, contratou vigilantes privados e pediu apoio à Polícia Militar. Assim, somente alguém que conhece as rotinas de segurança da instituição pode burlá-la e continuar matando os animais.

A Polícia têm hoje uma relação de 40 pessoas que teriam meios de cometer os crimes, mas selecionou apenas dez suspeitos principais que estão sendo interrogados. "Não é possível prever datas, mas estamos perto

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