Um esquadrão especial da polícia russa ocupou a frente da sede da petrolífera Yukos, em Moscou, e deve tomar o prédio neste sábado. A Justiça russa bloqueou os ativos da companhia há dois dias e deu um prazo de cinco dias para que quite impostos que somam 3,4 milhões de dólares.
"Os Omon (forças especiais) chegaram. Eles vão assumir nosso escritório central," anunciou o porta-voz da Yukos, Alexander Shadrin. "Eles estão esperando pelo promotor. É claro que nenhum diretor está trabalhando hoje." Segundo ele, os funcionários da empresa não resistirão à entrada da polícia. "Esperaremos até segunda-feira para ver o que acontecerá."
A Yukos já havia alertado que corria risco de falir devido ao pedido de pagamento imediato dos impostos e afirma que, com suas contas congeladas, não pode sequer vender ativos para se manter em atividade.
O fundador da empresa, Mikhail Khodorkovsky, está detido. Muitos analistas vêem a prisão do empresário como uma manobra do Kremlin para frustrar as ambições políticas do homem mais rico da Rússia. Ele está sendo julgado sob acusação de fraude e evasão de impostos.
O governo russo garante que não tem planos de restatizar a Yukos ou qualquer outra gigante industrial do país. Muitas dessas empresas foram compradas a preços baixos durante o processo de privatização na década de 90. O presidente, Vladimir Putin, disse no último mês que não tem interesse em ver a Yukos, que produz mais petróleo do que a Líbia, na falência.