Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Polícia reprime nova manifestação no Paquistão

Quarta, 07 de Novembro de 2007 às 15:14, por: CdB

Centenas de simpatizantes da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto entraram em choque com a polícia nesta quarta-feira, em Islamabad, em frente ao Parlamento paquistanês.
Os policiais usaram bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes, e há relatos de que vários deles também teriam sofrido golpes de cacetete.

Os confrontos começaram pouco depois de Bhutto ter convocado manifestações em massa contra o estado de emergência imposto pelo presidente Pervez Musharraf no último sábado.

Ela pediu que a população se reúna na próxima sexta-feira em Rawalpindi, onde fica um dos principais quartéis militares do país, apesar de uma proibição oficial contra protestos.

— Eu apelo para todo o povo do Paquistão para que venha. Nós estamos sob ataque —, afirmou ela em contato com jornalistas.

Novo atentado?

As autoridades, no entanto, avisaram que a polícia não vai permitir a realização do protesto.

— Vamos assegurar que não seja violada a proibição oficial, e, se isso acontecer, o governo vai agir de acordo com a lei —, afirmou o prefeito de Rawalpindi, Javed Akhlas.

Ele disse à agência de notícias Associated Press que existe uma "forte ameaça" de um novo ataque suicida contra Bhutto, que sobreviveu a um atentado há quase três semanas, no qual mais de 140 pessoas morreram.

Bhutto também pediu que seja realizada "uma longa marcha" na próxima terça-feira, de Lahore a Islamabad, a menos que Musharraf concorde com demandas da oposição, como a de deixar o cargo de chefe das Forças Armadas e de manter as eleições marcadas para janeiro.

Apelo

Até agora, a ex-primeira-ministra vinha evitando incentivar seus simpatizantes a sair às ruas.
Mas, segundo analistas, uma grande manifestação popular neste momento pode aumentar dramaticamente os interesses na crise política do país.

Bhutto se reuniu nesta quarta-feira com outros grupos de oposição em Islamabad, mas alguns dos principais nomes não estavam presentes, como o partido do ex-premiê Nawas Sharif e o ex-jogador de críquete Imran Khan.

Khan é um dos vários políticos proeminentes que estão em prisão domiciliar, após decreto expedido no sábado, em que o governo explica que foi motivado por razões de segurança nacional.

Nesta quarta-feira, ele conseguiu despistar os guardas em sua casa e gravou um apelo em vídeo, no qual diz que quer inflamar todos os setores da sociedade em direção a "grandes protestos".

— Se não resistirmos e não levantamos nossa voz contra esta situação, ele (o general Musharraf) vai levar o país para a destruição", afirmou Khan.

Curto prazo

Mas um dos principais representantes do partido de Musharraf disse que as medidas de emergência poderão ser retiradas logo.

— Tenho certeza de que o estado de emergência vai acabar dentro de duas ou três semanas, já que o presidente está ciente das conseqüências de mantê-lo por um longo tempo —, afirmou Chaundhry Shujaat Hussain ao jornal The Dawn.

Segundo a correspondente da BBC em Islamabad, Barbara Plett, aparentemente existe um racha entre os membros do partido que querem que as eleições ocorram em janeiro e aqueles que preferem seu adiamento.

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