Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Polícia reprime acampados em praça de Barcelona

Sexta, 27 de Maio de 2011 às 09:20, por: CdB

Os manifestantes foram retirados sob o argumento de que a praça deveria ser limpa. Ao menos 87 pessoas ficaram feridas e duas detidas

 

27/05/2011

 

da Redação

 

Na manhã desta sexta-feira (27), a polícia catalã retirou com violência os manifestantes acampados, desde o último dia 15 de maio, na praça da Catalunha, em Barcelona. A ação resultou em ao menos 87 pessoas feridas e 2 detidas, segundo informações do Serviço de Emergências Médicas (SEM).

O despejo foi justificado pelo governo catalão pela necessidade de efetuar a limpeza na praça para evitar que se crie uma situação de insalubridade e torná-la mais segura para a celebração da final da Liga dos Campeões, entre o time de futebol local e o Manchester United.

Segundo Francesc Homs, porta-voz do governo, a atuação policial é parte das ações de limpeza para a “segurança e ordem pública”.

No entanto, os acampados negaram-se a sair do local por considerarem que o despejo por razões de limpeza era uma desculpa das autoridades para recuperar esse espaço da cidade de Barcelona.

Ante a negativa dos acampados em deixar a praça, os Mossos d'Esquadra (polícia geral da Catalunha) e a guarda urbana atacaram os jovens com cacetetes e balas de borracha para abrir passagem aos caminhões do serviço de limpeza. Os policiais formaram cordões de isolamento, um para cercar aos últimos resistentes que ficaram no centro da praça e outro para conter outros jovens que queriam somar-se ao grupo.

Contudo, centenas de pessoas já têm conseguido quebrar o cordão policial e voltar ao que sobrou do acampamento após uma dezena de caminhões de limpeza e os próprios policiais terem destruído a infraestrutura levantada pelo movimento nos últimos dias.

O acampamento na praça da Catalunha integra o Movimento 15-M que, também em outras regiões da Espanha, reúne jovens em protestos contra as ações econômicas adotadas pelo governo espanhol e os cortes trabalhistas.

A maior concentração tem acontecido na praça Porta do Sol, em Madri. Lá, centenas de jovens iniciaram o movimento em 15 de maio e permanecem até o momento. Entretanto, o governo espanhol já estuda esvaziar a praça. A informação foi dada em coletiva de imprensa pelo ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba.

O motivo, segundo ele, foi o recebimento de várias queixas apresentadas pelo governo local e pelos comerciantes que dizem estar “reféns de ações ilegais”.

A Confederação do Comércio de Madri e a associação que representa os comerciantes da Porta do Sol apresentaram nesta sexta-feira um manifesto em que denunciam a “ocupação da via pública” e alegam uma queda nas vendas em torno de 70%.

 

Mobilização

O movimento 15-M teve seu início em convocações feitas através das redes sociais da Internet para reclamar uma democracia real na Espanha. A primeira manifestação ocorreu em Madri e, logo após, os participantes da mobilização instalaram acampamentos nas principais cidades do país, com epicentro na praça Porta do Sol, na capital.

Segundo o 15-M, a democracia degradou-se tanto que os partidos mal se preocupam em continuar no poder ou alternar-se, e respondem unicamente aos interesses das elites econômicas.

No último domingo (22), durante a realização das eleições regionais, os manifestantes exortaram a população a não votar em nenhum dos dois principais partidos políticos do país.

Entre suas reivindicações estão a reforma da lei eleitoral, que só favorece aos dois grandes partidos (PSOE e PP), a luta contra a corrupção, a separação efetiva dos poderes públicos e um maior controle cidadão sobre os responsáveis políticos.

A continuidade da mobilização deve ser decidida no próximo domingo (29) em assembleia na Porta do Sol, em Madri.

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