Rio de Janeiro, 29 de Março de 2026

Polícia quebra sigilo telefônico de Ubiratan Guimarães

Quarta, 13 de Setembro de 2006 às 09:36, por: CdB

A advogada Carla Cepollina voltou a negar envolvimento na morte do coronel Ubiratan Guimarães no depoimento na sede do Departamento de Homicídios e proteção à Pessoas (DHPP), que terminou na madrugada desta quarta-feira, em São Paulo. A polícia voltou a ouvir Cepollina na tarde desta quarta-feira, além de mais três pessoas. Carla era namorada do coronel e foi a última pessoa pessoa vista saindo do apartamento onde o coronel foi achado morto, domingo à noite.

A polícia também requisitou a abertura dos sigilos telefônicos da mãe de Carla, a também advogada Liliana Prinzivalli, e da delegada da Polícia Federal do Pará Renata Azevedo dos Santos Madi. As últimas ligações telefônicas feitas e recebidas pelo coronel Ubiratan está sendo rastreadas para elucidar sua morte, sábado passado, na capital paulista.

Ubiratan foi o comandante do massacre do Carandiru, com o saldo de 111 detentos mortos, e tentava a reeleição para o cargo de deputado federal pelo PTB paulista.

A delegada Renata Madi, que trabalha na Polícia Federal em Belém (PA) e era amiga do coronel, ligou para ele no sábado à noite, pouco antes da morte. Em conversa informal com a polícia, na segunda-feira, Carla disse que chegou a discutir com o coronel por ciúmes, devido ao telefonema. Pessoas próximas negam que o militar e a delegada tivessem um relacionamento amoroso.

A polícia quer o acesso aos telefonemas para saber o que de fato aconteceu, pois as versões são desencontradas. Renata teria dito que não chegou a falar no telefone com Ubiratan, apenas com Carla, a qual teria declarado que ele estava dormindo. Mas a mãe de Carla garantiu que sua filha atendeu a ligação e passou o telefone ao coronel.

Após Carla sair da sede do DHPP, o delegado Armando de Oliveira Costa Filho afirmou que ela "por ora" continua na condição de testemunha no caso. O delegado ressaltou também que as investigações estão andando "de forma muito satisfatória". A polícia continua trabalhando com a tese de crime passional e avalia que a chance de envolvimento de facção criminosa é "pequena".

No depoimento, Carla afirmou que é inocente e não tinha motivos para matar o coronel. Ela também admitiu que Guimarães tinha muitos inimigos e teria entregue uma lista com nomes de supostos desafetos do militar reformado.

Apesar de ter declarado na segunda-feira que amava o coronel e tinha planos de morar com ele após as eleições, amigos e familiares da vítima garantiram que a relação era apenas ocasional.

Um revólver de calibre 38 usado por Ubiratan, supostamente usado no crime, desapareceu do apartamento. As circunstâncias deixaram a polícia convencida de que uma pessoa próxima assassinou Guimarães - não há indícios de briga ou execução, e a porta da área de serviço estava aberta. Ainda não saiu o resultado da perícia nas roupas usadas por Carla no dia da morte nem em uma toalha encontrada suja de sangue.

Tags:
Edições digital e impressa