Polícia prende suspeitos de integrar quadrilha de aborto no Rio
A polícia prendeu dois suspeitos de fazerem parte da quadrilha de aborto responsável pela morte de Elizângela Barbosa, em Niterói, região metropolitana do Rio. De acordo com o delegado da DH (Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo), Rildo José Medeiros dos Santos teria levado Elizângela até a clínica clandestina, e Lígia Maria Silva, teria participado do aborto.
A polícia apreendeu no local medicamentos, inclusive de uso veterinário, e um computador
A polícia prendeu dois suspeitos de fazerem parte da quadrilha de aborto responsável pela morte de Elizângela Barbosa, em Niterói, região metropolitana do Rio. De acordo com o delegado da DH (Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo), Rildo José Medeiros dos Santos teria levado Elizângela até a clínica clandestina, e Lígia Maria Silva, teria participado do aborto.
De acordo com a polícia, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária de 30 dias contra eles, pelo crime de homicídio. A Polícia Civil identificou, por meio do depoimento de uma faxineira, duas mulheres suspeitas de integrar quadrilha que pratica abortos em Niterói. A partir de denúncia, policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo chegaram a uma casa na rua Silvino Pinto, no bairro Sapê, para onde Elizângela Barbosa, de 32 anos, que morreu após um aborto, foi levada, segundo o titular Wellington Vieira.
- Possivelmente é o local do crime. Exames periciais complementares vão detectar se o aborto foi feito no interior dela.
A polícia apreendeu no local medicamentos, inclusive de uso veterinário, e um computador. As apreensões foram submetidas à perícia para verificar se têm relação com aborto. A polícia não confirma, contudo, se Elizângela foi submetida a aborto na casa em questão. A faxineira que estava no imóvel deve ser novamente interrogada pela DH.
O delegado afirmou que não era a primeira vez que Elizângela tentava interromper a gravidez de quatro meses. De acordo com o delegado, a mulher procurou a clínica depois de complicações em uma tentativa de aborto com medicamentos.
- Ela já tinha tentado um aborto há alguns meses através de medicamentos adquiridos ilegalmente, que não foram eficazes. Isso a fez procurar a clínica clandestina para garantir a interrupção da gravidez.
Esquema de propina
O capitão da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro Diego Soares Peixoto, lotado no 3º Batalhão (BPM), no Méier, Zona Norte da cidade, e o sargento PM, Romildo Rodrigues Silva, que trabalhava no Comando de Operações Especiais (COE) foram presos nesta segunda-feira por agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) para o cumprimento dos dois mandados de prisão.
Segundo informação da Seseg, foi um desdobramento da Operação Amigos S.A, que apontou a participação dos dois na associação criminosa armada, formada por outros policiais militares denunciados e presos no dia 15 deste mês, acusados de integrar o esquema de cobrança de propina na área do 14° BPM (Bangu). A Operação Amigos S.A indicou que os policiais recebiam pagamentos de mototaxistas, empresas - principalmente transportadoras de pessoas e cargas -, instituições financeiras e ambulantes do bairro de Bangu e adjacências, na zona oeste.
De acordo com a Seseg, o envolvimento dos dois foi indicado no depoimento de um policial militar, e “foi fundamental para confirmar as investigações da Subsecretaria de Inteligência". Conforme a secretaria, o policial delator está em liberdade, beneficiado pelo instrumento da delação premiada. Segundo o MP-RJ, os mandados de prisão preventiva dos dois policiais, que atuaram, antes, no 14° BPM, foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Bangu. Também foram cumpridos três mandados de busca e de apreensão.
O MP-RJ apontou, na denúncia, que o sargento Romildo fazia parte da ronda bancária e sua principal função era arrecadar, semanalmente, propinas de instituições bancárias de Bangu, que variavam de R$ 50 a R$ 360. A denúncia indicou ainda que por ser primo do ex-comandante de Operações Especiais, coronel Alexandre Fontenelle, o sargento acompanhou o oficial nas unidades em que ele atuou - nos batalhões de Itaguaí, Irajá e Bangu - e no COE.
Conforme o MP-RJ, o sargento mantinha relação de confiança com o coronel Fontenelle, a ponto de entregar a arma que o oficial usava aos policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), no momento da prisão do ex-comandante do COE, no dia 15, pela Operação Amigos S.A.
O capitão Diego comandava a 1ª Companhia do 14° BPM, responsável pela coordenação das equipes de policiamento ostensivo e ronda bancária. As investigações indicaram que o capitão arrecadava por semana no mínimo R$ 150 de cada equipe e repassava para o Estado-Maior do 14° BPM.
Na Operação Amigos S.A. foram presos 24 policiais militares do 14° BPM, sendo seis oficiais que integraram o estado-maior do batalhão. Também foi preso um mototaxista acusado de participar do esquema de arrecadação de propina.
Segundo o MP-RJ, os 27 denunciados responderão pelo crime de associação criminosa armada. A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os policiais militares também poderão ser obrigados a pagar indenização por danos morais causado à imagem da corporação. “Eles ainda serão responsabilizados pelos crimes de concussão (extorsão cometida por servidor público), que serão apurados pela Auditoria de Justiça Militar do estado.
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