Polícia mata três em escalada de protesto no IêmenLegenda:Confronto entre manifestantes e policiais fere dezenas no Iêmen (reuters_tickers)
Por Khaled al-Mahdy e Mohammed Ghobari
TAIZ, Iêmen (Reuters) - A polícia do Iêmen disparou bombas de gás lacrimogêneo e atirou contra manifestantes na capital Sanaa e em Taiz nesta terça-feira, matando ao menos três pessoas, em um esforço para reprimir os crescentes protestos contra o regime do presidente Ali Abdullah Saleh.
Os confrontos aconteceram enquanto mediadores do Golfo Pérsico tentavam reunir os líderes do governo e da oposição para negociar uma transferência de poder no país arábe, que é um campo de batalha fundamental para os EUA em sua guerra contra a Al Qaeda.
Duas pessoas morreram e quase 100 ficaram feridas por disparos, depois que a polícia entrou em confronto com manifestantes que marchavam em direção à principal avenida de Sanaa, perto da residência do vice-presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, de acordo com o médico Mohammed Qobati.
Os manifestantes jogaram pedras nos policiais e colocaram fogo em veículos das forças de segurança, segundo testemunhas. A rede de TV Al Jazeera mostrou médicos prestando atendimento a dezenas de pessoas feridas e cobertas de sangue.
A mídia estatal informou que Saleh ordenou uma investigação do incidente, colocando a culpa em ativistas da oposição.
O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir no final do dia para discutir a situação no Iêmen, onde aliados ocidentais e árabes do Golfo temem que o impasse prolongado possa levar a choques entre unidades militares rivais em Sanaa e outras regiões.
Médicos disseram que pelo menos uma pessoa foi morta a tiros e outra ficou ferida em um protesto em Taiz, ao sul de Sanaa, quando manifestantes em todo o país começaram a testar os limites das forças de segurança após três meses de manifestações exigindo o afastamento do presidente.
A polícia reagiu com tiros em Taiz quando manifestantes empilharam pneus em chamas. Eles planejavam fazer uma marcha passando pelo gabinete do governador da província.
"Eles (os manifestantes) estão recorrendo a essa tática para tentar escalar a situação porque sentem que suas reivindicações não estão sendo atendidas", disse Mohammed al-Mohammedi, manifestante em Taiz.
Os manifestantes também gritaram ordens de saudação a soldados de um batalhão leal ao general Ali Mohsen, que enviou tropas para proteger manifestantes em Sanaa, quando passaram ao lado de um posto do Exército com as tropas do general.
Nos últimos dias, manifestantes em Sanaa e em Hudeida, porto no Mar Vermelho, também têm tentado marchar fora de suas zonas de protesto tradicionais, fato que levou a choques com a polícia, que tentou contê-los.
Aliados ocidentais do Iêmen e países árabes do Golfo vêm tentando, sem êxito, mediar uma resolução que envolva uma transição do poder e a saída de Saleh, que comanda o país da Península Arábica há 32 anos. Saleh diz que quer entregar o poder, mas apenas a "mãos seguras."
Países ocidentais e árabes vizinhos dizem temer que os choques contínuos no Iêmen, país montanhoso pobre onde Saleh já perdeu o controle sobre várias províncias, possam desencadear caos que beneficiaria uma ala ativa da Al Qaeda que opera no país.
Saleh, que aceitou a mediação dos países do Golfo, avisou sobre o risco de guerra civil e fragmentação do país se ele for forçado a sair, ao mesmo tempo em que os manifestantes perdem a paciência com o processo de negociação e se mostram menos dispostos a fazer concessões.
Desde janeiro, mais de 117 manifestantes foram mortos em choques com as forças de segurança. Uma organização de observação da mídia sediada nos EUA disse que um jornalista iemenita que trabalha para um canal de televisão da oposição islâmica está desaparecido depois de ser convocado pelas autoridades.
(Reportagem adicional de Mohammed Ghobari em Sanaa)
Reuters