A Polícia Civil do Pará já tem os nomes dos quatro suspeitos de participar do assassinato da missionária religiosa Dorothy Stang, morta no sábado em Anapur, a 600 quilômetros a oeste do Pará. A polícia, que mantém os nomes em sigilo, confirmou que dois dos suspeitos são pistoleiros, um foi contratado como intermediário e o outro seria o mandante do crime.
Dorothy trabalhava há mais de 30 anos no estado defendendo trabalhadores rurais e lutando por seu assentamendo em terras tomadas por madeireiras. Na semana passada, ela teve uma reunião com o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda. No encontro, a missionária denunciou que quatro pessoas da região estavam recebendo ameaças de morte. Irmã Dorothy pertencia à ordem das Irmãs de Notre Dame de Namur, um grupo de mais de duas mil mulheres que trabalham em cinco continentes.
Dados preliminares da perícia revelam ainda que a irmã, que nos últimos meses estaria agindo para expulsar agricultores de um lote incluído no projeto de assentamento rural de Anapu, teria sido morta com nove tiros, e não três. A maioria das balas atingiu o tórax e a cabeça.
O corpo de Dorothy está sendo levado de Anapu, cidade de sete mil habitantes às margens da Rodovia Transamazônica, para o Instituto Médico Legal de Bélem, onde deve passar por uma necropsia mas, em decorrência do mau tempo, o avião teve que fazer um pouso de emergência e ainda não há previsão do horário de chegada da aeronave na capital paraense.
Na manhã deste domingo peritos da Polícia Civil, investigadores e delegados também estiveram novamente no local do crime, a 40 quilômetros de Anapu, para conferir ar as informações acompanhados de duas testemunhas, uma delas que teria presenciado a execução.
Ambas estão sob vigilância policial e devem ingressar oficialmente em um programa de proteção a testemunhas do estado. As investigações continuam já com o apoio de agentes federais.