A polícia italiana não descarta a possibilidade de Rabei Osman el Sayed, ou Mohamed "O Egípcio", detido na segunda-feira em Milão como um dos cérebros do massacre de 11-M, ter estado em Leganés em 3 de abril, quando alguns dos terroristas que participaram dos atentados de Madri se suicidaram.
Essa hipótese baseia-se em um telefonema interceptado, em 26 de maio, entre "o Egípcio" e Yahia Paluja -identificado depois como sendo Ragheh Yehia-, jovem de 22 anos que foi detido junto a ele em Milão.
A transcrição dessa conversa, divulgada pela Agência Ansa, é a seguinte:
Rabei: "...quando ia à casa dos meus amigos marroquinos em Madri percebi que o bairro estava rodeado pela polícia".
Yahia: Onde? Em Madri?
Rabei: Sim, foram ao bairro e fizeram uma grande operação. Tinham matado um policial no bairro. Tive que fugir para a França. Além disso, levava uma bolsa. Depois detiveram.
Yahia: Te detiveram?
Rabei: Não! Detiveram o rapaz que estava comigo.
Fontes da investigação italiana assinalaram, nos últimos dias, que "o Egípcio" poderia ter fugido para a França antes do 11-M e que suas últimas pistas em Madri seriam sua presença na casa de Morata de Tajuña, utilizada pelos terroristas em 6 e 7 de março.
Uma vez na França, disseram essas fontes, foi localizado e seguido. Conseguiu escapar até que, recentemente, foi detectado em Milão, onde foi detido no dia 7 junto a Ragheh Yehia, quando tudo indicava que se preparava para fugir novamente.
Rabei Osman assumiu, em telefonemas interceptados pela polícia, a autoria do massacre de 11-M, ao afirmar que os atentados de Madri foram um projeto seu. "Os mártires que ali morreram eram meus queridísimos amigos", destacou.
A juíza de primeira instância de Milão Silvana Petromer confirmou ontem, sob a acusação de formação de quadrilha com o objetivo de cometer terrorismo internacional, a prisão preventiva de Rabei Osman o Sayed, que se negou a depôr.