BOLOGNA, LECCE E ROMA, 6 JUL (ANSA) - A polícia italiana prendeu dezenas de pessoas no país, onze apenas em Bologna e quinze em Roma, pertencentes a uma rede criminosa de tráfico de imigrantes ilegais que utilizavam a Itália como base para receber e distribuir os estrangeiros para outros países europeus.
Os atravessadores foram detidos por uma ordem de custódia cautelar emitida pelo juiz para indagações preliminares Nicola Lariccia, do Tribunal de Lecce, requisitada pelo procurador do Distrito Antimáfia da capital Guglielmo Cataldi.
A investigação foi conduzida pelo Serviço Central de Operações (SCO) e pelos esquadrões móveis de Lecce, Bologna e Ravenna, sob a coordenação da Direção Nacional Antimáfia e das promotorias de Bologna e Lecce.
Os estrangeiros que eram levados para a Europa -- a maioria proveniente do Paquistão, do Iraque e do Afeganistão -- estavam "em constante perigo de vida" por conta das más condições de transporte tanto para o território italiano como para outras nações, principalmente para a Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Inglaterra, Suécia e Suíça.
Para chegar à Itália eles pagavam de mil a dois mil euros por pessoa por meio de escritórios de transferência de dinheiro de vários países do Oriente Médio, que lhes forneciam senhas. Dessa forma, o pagamento só era efetuado após o desembarque do estrangeiro na Itália, que então dava à organização a senha para que o criminoso pudesse completar a transferência monetária.
De acordo com a polícia, o grupo de onze pessoas - dez afegãos e um iraniano - presos hoje em Bologna e os quinze detidos em Roma davam apoio logístico para o tráfico dos imigrantes, hospedando-os, oferecendo-lhes documentos de habitação e de trabalho falsificados e organizando suas viagens seguintes, que geralmente eram realizadas por trens.
Esse serviço custava para cada imigrante de 500 a mil euros, e para continuarem adiante, eram pagos de 5 mil a 15 mil euros.
Segundo informações dos investigadores, a organização se dividia em uma central operacional na Grécia e na Turquia e tinha diversas células presentes em cidades da Itália, como Roma, Milão, Ascoli Piceno, Bari, Bologna, Bérgamo, Bréscia, Cremona, e Teramo.
O crime começou a ser investigado a partir de maio de 2010, quando 65 imigrantes clandestinos afegãos foram encontrados em um navio com a bandeira da Inglaterra a serviço da Adriatica Lines que desembarcou em Porto Corsini, em Ravena. A embarcação, legal, transportava turistas e automóveis, e os imigrantes foram encontrados amontoados em uma caixa dentro de um caminhão que transportava laranjas.
A polícia italiana começou a investigar as entradas ilegais de imigrantes após o registro de casos semelhantes, como em 30 de agosto de 2010, quando mais trinta imigrantes provenientes do Oriente Médio, sobretudo afegãos, paquistaneses e indianos, desembarcaram em Porto Selvaggio a bordo de um veleiro que portava a bandeira dos Estados Unidos. Na ocasião, a polícia prendeu três contrabandistas da Geórgia.
Os inquéritos levaram a esquadra móvel de Lecce descobrir que o grupo levava os imigrantes clandestinos primeiramente à Turquia, para depois encaminhá-los para a Grécia, e, em seguida, para a Itália, desembarcando em Lecce ou em Crotone, na Calábria. (ANSA)
POLÍCIA ITALIANA PRENDE 18 ATRAVESSADORES DE IMIGRANTES ILEGAIS
Quarta, 06 de Julho de 2011 às 08:01, por: CdB