A polícia de Israel invadiu na quinta-feira o hotel abandonado de um assentamento da Faixa de Gaza e expulsou dali 150 judeus radicais que pretendiam formar um núcleo de resistência à retirada israelense do território ocupado.
Militares invadiram o hotel cercado por barricadas depois de as Forças Armadas terem declarado como zona militar fechada os assentamentos judaicos da Faixa de Gaza com o intuito de colocar fim à chegada de ultranacionalistas decididos a impedir a retirada de agosto.
O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse que o governo não permitirá que os judeus de extrema direita atrapalhem a saída do território palestino, acusando-os de "criminosos que tentam aterrorizar a sociedade israelense e destroçá-la com atos de violência contra judeus e árabes".
Os militares envolvidos na ação de quinta-feira, todos fortemente armados, quebraram portas e perseguiram os religiosos no hotel Palm Beach, à beira-mar. Alguns dos ativistas que invadiram o local eram mulheres com crianças pequenas que haviam se prendido a peças do mobiliário do local.
O hotel, desativado há anos, foi transformado dois meses atrás em um reduto de ultranacionalistas vindos de assentamentos da Cisjordânia ocupada.
Os extremistas foram levados gritando e dando chutes e alguns deles acabaram algemados. A operação durou 30 minutos e não deixou feridos, disseram comandantes das forças de segurança. Quatro pessoas acabaram detidas.
Nadia Matar, uma líder dos radicais, gritou para os policiais que a arrastavam para fora do hotel:
- Cossacos! Cossacos! O governo deveria se envergonhar por expulsar os judeus como se eles estivessem na Rússia".
Segundo o general Dan Harel, comandante das forças militares de Israel na Faixa de Gaza, eram radicais como esses que tinham tentado "linchar" um jovem palestino na quarta-feira.
Sharon afirmou em uma entrevista coletiva:
- Vamos enfrentar esse fenômeno com pulso firme já que eles ameaçam nossa existência aqui como um país judeu e democrático.
O premiê disse ainda que a retirada começaria na data prevista, "dentro de sete semanas."
Israel pretende desocupar todos os 21 assentamentos da Faixa de Gaza e quatro dos 120 assentamentos da Cisjordânia. Os EUA, principais mediadores do processo de paz na região, esperam que a retirada ajude na reativação das negociações com os palestinos.
Os palestinos apóiam a saída das forças israelenses, mas temem que a manobra seja apenas uma forma de o Estado judaico consolidar seu controle sobre a Cisjordânia.