Rio de Janeiro, 02 de Fevereiro de 2026

Polícia investiga suposto acordo para invasão no Pontal

Quarta, 27 de Junho de 2007 às 09:19, por: CdB

A Polícia Civil de Martinópolis (553 km a oeste de SP) abriu inquérito para apurar suposto acordo entre o Mast (Movimento dos Agricultores Sem Terra) e donos da fazenda Estrela do Laranja Doce para pressionar o governo paulista a comprar a área para fins de reforma agrária.

A fazenda, invadida na madrugada de anteontem pelo Mast e pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) dirigido por José Rainha Jr., é uma das 15 áreas tomadas no Estado desde quinta-feira, quando os grupos deram início a uma onda de ações para protestar contra o governo de São Paulo.

Na segunda-feira, o "Jornal Nacional", da Rede Globo, exibiu reportagem na qual um coordenador do Mast aparece discutindo a estratégia da invasão com uma pessoa não identificada, apresentada na matéria como "representante dos fazendeiros".

- Solicitamos a fita da reportagem, que será periciada. Em seguida, vamos ouvir os citados, donos da área, os membros do Mast e identificar quem são as pessoas que aparecem na imagem - afirmou o delegado Marcos Antônio Mantovani. Segundo ele, "até o momento" a polícia apura falsa comunicação de crime, cuja pena prevista no artigo 340 do Código Penal varia de um a seis meses de prisão.

O advogado dos donos da fazenda, Paulo Borghi, disse que seus clientes são vítimas de uma situação criada. - Eles estão sendo tratados como cúmplices de um crime, mas na verdade são vítimas de uma situação criada - disse. - Eles [fazendeiros] não querem negociar e não pretendem negociar com sem-terra e nem 'com-terra'. Disseram ainda que não conhecem as pessoas flagradas na reportagem - completou. 

O coordenador do Mast Américo Canetelli Neto, que aparece na reportagem do "JN", disse que foi enganado e vítima de uma armação, sem identificar, no entanto, os responsáveis.

- Estava no acampamento quando o rapaz chegou, muito nervoso, dizendo que gostaria de ajudar o movimento a ocupar a fazenda, e nós aceitamos. Foi só isso que aconteceu - disse. Ele negou, entretanto, que o homem tenha se apresentado como representante dos donos da fazenda.

Ainda conforme o membro do Mast, o contato teria ocorrido há seis meses no acampamento do movimento, localizado a dez quilômetros da fazenda invadida.

Responsável pela articulação das invasões, Rainha, proibido pela direção nacional do MST de articular ações em nome da sigla, não foi encontrado.

Wésley Mauch, um de seus principais aliados, negou envolvimento do grupo responsável pelas recentes invasões em São Paulo no episódio.

Em visita ao Pontal do Paranapanema, o diretor-executivo do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo), Gustavo Ungaro, afirmou que o órgão responsável pela condução da reforma agrária no Estado vai analisar o caso. - É lamentável esse tipo de negociatas com questões sérias - disse. O presidente nacional da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antônio Nabhan Garcia, disse não concordar com a prática.

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