Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Polícia investiga PMs suspeitos de pertencerem à máfia dos caça-níqueis

Quarta, 20 de Setembro de 2006 às 18:12, por: CdB

Depois de descobrirem imóveis e carros de altos valores, a polícia investiga a lista dos suspeitos de pertencer à máfia dos caça-níqueis. Eles seriam donos de apartamentos em endereços de luxo no Rio e teriam carros com alto valor de mercado, incompatíveis com os salários dos suspeitos. Policiais também querem saber se uma lista apreendida com placas de carros estaria ligada a ataques na Zona Oeste do Rio.

A Polícia Federal repassou à Justiça, nesta quarta-feira, os documentos apreendidos com Roland Cavalcanti, contador de Rogério Andrade. Além da lista que, segundo os investigadores, revela a propina paga aos policiais da quadrilha, os agentes enviaram ao juiz uma outra lista, que também estava com o contador. Nela, constam placas de carros que, de acordo com os agentes, seriam usados em ataques na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ainda há a suspeita de que algumas sejam clonadas.

A Polícia Civil descobriu imóveis comprados por policiais militares, por um ex-sargento do Corpo de Bombeiros e até por um ex-agente da Polícia Federal, que aparecem na lista dos 29 denunciados pelo Ministério Público. Todos teriam envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.
O sargento do Corpo de Bombeiros Antônio Carlos Macedo, preso há dois meses seria dono de um imóvel na Rua Demóstenes Madureira de Pinho, no Recreio dos Bandeirantes. Segundo o Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis (Secovi), o preço médio de um apartamento como esse é de R$ 600 mil.

O sargento da Polícia Militar Luiz Henrique de Carvalho, foragido da Justiça e suspeito de ter matado um agente federal tem, segundo a polícia, um apartamento na Avenida Gláucio Gil, também no Recreio dos Bandeirantes. De acordo com o Secovi, o imóvel custa em torno de R$ 400 mil.

Além de apartamentos, alguns suspeitos presos compraram carros com avaliação muito maior do que os salários que recebem. O cabo da Polícia Militar, Jorge Luiz de Souza, que ganha um salário de R$ 1,2 mil, tem em seu nome uma caminhonete S-10, modelo 2006, que custa em torno de R$ 90 mil. A Polícia Civil investiga se todos recebiam dinheiro da contravenção.

-A maioria dos acusados possuía e ostentava bens de valor muito superior ao que eles poderiam ter com seu salário. Não procuravam esconder. É a certeza da impunidade-, disse o delegado Milton Olivier.

Segundo a polícia, o sargento do Corpo de Bombeiros Antônio Carlos Macedo disse que o apartamento foi comprado com a ajuda de parentes. O cabo Jorge Luiz de Souza, dono do carro citado na reportagem, disse que só fala sobre o assunto em juízo.

E a Justiça do Estado informou que analisa se vai seqüestrar ou não os bens dos suspeitos de envolvimento com a máfia dos caça- níqueis.

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