Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Polícia investiga motivos de jovem que matou pai nos EUA

Investigadores buscaram nesta quinta-feira os motivos de um adolescente na Carolina do Sul que matou o pai e feriu a tiros dois alunos e um professor de uma escola rural

Quinta, 29 de Setembro de 2016 às 07:29, por: CdB

Adolescente de 14 anos matou o pai em casa e depois abriu fogo no pátio de uma escola, atingindo dois alunos e uma professora no estado da Carolina do Sul. Autoridades descartam motivação xenófoba ou terrorista

Por Redação, com DW - de Washington:

Investigadores buscaram nesta quinta-feira os motivos de um adolescente na Carolina do Sul que matou o pai e feriu a tiros dois alunos e um professor de uma escola rural, no mais recente incidente do tipo nos EUA.

O garoto, de 14 anos, matou o pai, de 47 anos, na tarde de quarta-feira. Ele então se dirigiu para a escola elementar da cidade de Townville, onde atirou em dois meninos e numa professora com uma pistola, antes de ser rendido por um bombeiro voluntário. Os disparos aconteceram no pátio da escola, e o adolescente não chegou a entrar no prédio.

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Investigadores buscaram nesta quinta-feira os motivos de um adolescente na Carolina do Sul que matou o pai e feriu a tiros dois alunos e um professor de uma escola rural

O suspeito está sob custódia e foi interrogado por investigadores na noite anterior. As autoridades verificaram se houve alguma conexão entre o atirador e as vítimas na escola.

– Não há indícios raciais. E não há terrorismo envolvido. Estamos confiantes de que ninguém mais está envolvido – disse o capitão de polícia Garland Major.

O garoto não frequentava a escola, sendo educado em casa. Segundo as autoridades, ele ligou para os avós, que foram até a casa dele e encontraram o pai do menino, filho deles, morto. O garoto já não estava mais em casa e havia dirigido uma picape até o pátio da escola, atirando nas outras três vítimas.

Um dos meninos, de 6 anos, levou um tiro na perna e está em estado grave. O outro, também de 6 anos, foi ferido no pé, e a professora, no ombro, tendo ambos já recebido alta.

– Estamos com o coração partido após esse ato de violência insensível – disse Joanne Avery, superintendente da escola. Ela cancelou as aulas pelo resto da semana.

A segurança nas escolas norte-americanas foi reforçada desde 2012, quando um homem atirou e matou 20 crianças e seis educadores no Estado de Connecticut. Neste mês, uma menina de 14 anos atirou e feriu um colega de escola antes de se matar com um tiro no Texas.

Negro morto pela polícia

Em mais um caso envolvendo a morte de um homem negro pela polícia nos Estados Unidos, autoridades norte-americanas disseram na quarta-feira que o objeto que a vítima apontou para policiais em El Cajon, na Califórnia, antes de ser alvo de disparos, era um cigarro eletrônico.

A polícia havia divulgado uma foto extraída de um vídeo amador gravado no momento em que a vítima apontara o objeto para um dos agentes. Segundo as autoridades, o cigarro vaporizador tinha dois componentes: uma caixa do tamanho de um celular e um cilindro metálico de 7,5 centímetros de comprimento e 2,5 centímetros de diâmetro.

No momento em que o homem apertou as duas mãos em posição de tiro e apontou o objeto contra dois agentes, eles dispararam, um com uma pistola elétrica do tipo taser e o outro com sua arma de serviço. O homem foi identificado como Alfred Olango, um refugiado de 38 anos, natural de Uganda e que vivia há alguns anos nos Estados Unidos.

Na quarta-feira, mais de 200 pessoas protestaram pelo segundo dia consecutivo em El Cajon, exigindo informações e uma investigação independente sobre o caso. A manifestação teve momentos acalorados, mas no geral foi pacífica. Perto do shopping center onde o homem foi morto e da delegacia de polícia, os manifestantes gritavam "não à polícia racista" e "justiça para Alfred Olango" e "vidas negras importam".

Tensões acirradas

O incidente ocorreu dias depois de outros dois homens negros serem mortos pela polícia em Tulsa, em Oklahoma, e Charlotte, na Carolina do Norte, elevando as tensões raciais no país e desencadeando protestos. Em Charlotte, as autoridades declararam estado de emergência e impuseram toque de recolher na semana passada.

No caso em El Cajon, a polícia recebeu um chamado sobre um homem que andava no meio da rua e estaria fora de si. A polícia levou mais de uma hora para atender ao chamado. Os policiais mataram Olango apenas um minuto depois de terem chegado ao local.

Olango era conhecido da polícia, já tendo sido flagrado vendendo cocaína, dirigindo embriagado e em posse ilegal de uma pistola 9mm semiautomática quando foi preso em 2005, com maconha e ecstasy em seu carro. Ele admitiu a culpa no tribunal e foi sentenciado a quatro anos de prisão.

Segundo um advogado, no momento em que foi morto, Olango estava tendo uma crise nervosa após a recente morte de seu melhor amigo. Amigos disseram que ele apresentava problemas mentais.

Violência

Especialistas afirmaram ainda ser muito cedo para concluir se os tiros disparados contra Olango foram justificados ou poderiam ter sido evitados. Familiares exigem que a polícia divulgue o vídeo amador na íntegra, e não apenas uma foto extraída dele.

Chuck Drago, ex-chefe de polícia da Flórida, afirmou que um agente não tem tempo suficiente para determinar se se trata ou não de uma arma. "Se uma pessoa aponta algo contra um policial e ele acredita que seja uma arma e, de fato, é uma arma, se o policial não sacar sua arma, ele vai perder a batalha", disse.

El Cajon, cidade de 100 mil habitantes a 25 quilômetros de San Diego, abriga muitos refugiados do Iraque e, mais recentemente, da Síria. A maioria da população é branca.

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