A polícia inglesa interroga dois homens presos no sul de Londres depois de vasculhar a cidade em uma das maiores caçadas humanas na história da Inglaterra no sábado em busca de quatro homens procurados por tentar cometer atentados a bomba no sistema de transporte londrino.
Os ataques ocorreram na quinta-feira, duas semanas depois que terroristas suicidas mataram 52 pessoas na capital britânica.
Os dois homens foram detidos depois de buscas, na sexta-feira, na região de Stockwell, no sul de Londres, perto do local de uma das bombas que não explodiram na quinta-feira em três trens do metrô e um ônibus.
As prisões ocorreram horas depois da polícia ter perseguido e matado a tiros um outro homem diante de passageiros chocados na lotada estação de metrô Stockwell.
A polícia divulgou imagens do circuito fechado de televisão dos quatro suspeitos e pediu ajuda na busca, mas alertou que seriam perigosos e que não deveriam ser abordados.
A morte de um suspeito em um vagão do metrô levou a luta da Inglaterra contra o terrorismo a um novo nível de força, em um país onde apenas autoridades especializadas carregam armas e as mortes por parte da polícia são extremamente raras. O fato provocou um debate acirrado em relação ao direito da polícia de adotar uma política de atirar para matar.
A Comissão Islâmica de Direitos Humanos (IHRC) e manifestantes anti-guerra condenaram o assassinato como sendo o início de um novo e perigoso capítulo, mas a polícia e o prefeito de Londres defenderam o ato.
- A IHRC teme que pessoas inocentes possam perder a vida devido à política de 'atirar para matar' da polícia metropolitana - declarou o presidente da comissão, Massoud Shadjareh, em nota.
- Não queremos que a situação evolua a um ponto em que a cidade fique tão tensa que a polícia comece a atirar primeiro e interrogar depois - disse a campanha Pare a Guerra.
O prefeito Ken Livingstone disse que o dever da polícia era o de proteger o povo contra pessoas consideradas suspeitas de terrorismo, e a polícia afirmou ter seguido o homem em quem atirou desde uma casa sob vigilância e que o mesmo havia fugido ao ver-se ameaçado.
A Comissão Independente de Queixas Policiais disse estar investigando a morte, como faz em todos os casos em que há tiroteios policiais fatais.
Os jornais disseram que a polícia está operando sob novas diretrizes, na operação de codinome Kratos, que permite que os policiais alvejem a cabeça e não o corpo do suspeito se acreditarem que há uma ameaça ao público.