A polícia indiana disse, nesta quinta-feiram, que deteve cerca de 20 pessoas em conexão com as explosões de terça-feira que mataram 186 pessoas no centro financeiro do país. Também disse ter preparado retratos falados de três suspeitos vistos nos locais dos ataques.
- Interrogamos entre 250 e 300 pessoas como parte das investigações de dois dias - disse o chefe da polícia de Mumbai, A.N. Roy.
- Cerca de 20 pessoas foram detidas em vários lugares afirmou.
A televisão disse que muitas pessoas foram tiradas de hotéis e hospedarias da cidade.
Especialistas em explosivos ainda estão estudando os destroços em busca de pistas, mas uma autoridade da polícia disse que podem ter sido usados cronômetros eletrônicos para detonar os explosivos.
- Só podemos ter certeza depois dos resultados dos exames balísticos, mas por enquanto parece que foram usados cronômetros eletrônicos simples - disse.
Canais de TV indianos, citando fontes do Ministério do Interior, disseram que os ataques foram realizados em conjunto pelo Lashkar-e-Taiba, que tem base no Paquistão, e pelo Movimento dos Estudantes Islâmicos da Índia, proibido de atuar desde 2001, por ter supostamente tentado provocar conflitos religiosos por causa da guerra ao terrorismo liderada pelos EUA.
O Lashkar negou envolvimento no que chamou de "atos desumanos e de barbárie". O Ministério do Interior não se manifestou.
- Não temos nada sobre isso neste momento - disse o ministro do Interior junior, Sri Prakash Jaiswal.
O Lashkar também é apontado por autoridades como responsável pelas explosões em Nova Délhi no mês de outubro que mataram mais de 60 pessoas.
Na quinta-feira, quatro jovens foram entregues à polícia por uma multidão em uma estação de trem de Mumbai, devido a comportamento suspeito. A polícia disse que os homens tentaram jogar suas sacolas ao serem confrontados por passageiros e que estão sendo interrogados.
Os ataques de terça-feira aconteceram em horário de pico em trens e estações em um espaço de 11 minutos. Mais de 700 pessoas ficaram feridas. A polícia disse que 158 dos 186 mortos já foram identificados.
Nesta quinta-feira as ações indianas não foram afetadas, caindo um pouco nos mercados asiáticos depois de ganho de quase três por cento na quarta-feira.
Foi o pior ataque desde as bombas que mataram mais de 250 pessoas em Mumbai em 1993 e lembrou as explosões nos sistemas de transporte de Madri e de Londres nos últimos dois anos.
A mídia pediu para a Índia aumentar a pressão sobre o Paquistão, acusado de apoiar militantes.
- Há uma necessidade de dizer aos amigos na guerra contra o terror que algo precisa ser feito com urgência sobre a fábrica de jihad no vizinho - disse o jornal Hindustan Times.
A violência continuou na Caxemira Indiana, onde quatro hindus foram mortos a tiros por supostos militantes islâmicos na noite de quarta-feira.