Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram disparados contra a multidão que, ao final, oferece uma flor aos policiais da tropa de choque
A tropa de choque do Distrito Federal tentava bloquear o acesso de manifestantes que protestavam contra a Copa das Confederações ao Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Neste sábado, o Brasil abriu oficialmente o torneio, uma espécie de preparação para a Copa do Mundo, contra o selecionado japonês.
Enquanto os principais meios populares de comunicação, em rádios e canais públicos de TV, cobriam os preparativos para o jogo de abertura, o correspondente da agência britânica de notícias BBC, em Brasília, João Fellet, seguiu para o local onde uma operação policial liberava a entrada dos torcedores que seguiam para o Estádio, onde duas entradas chegaram a ser fechadas pelos manifestantes, que protestam contra o dinheiro gasto na construção da infraestrutura destinada à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas, em 2016.
– Por enquanto, não houve confronto, mas a situação permanece tensa. Sem saber o que fazer, muitos torcedores permanecem aglomerados do lado de fora – disse Fellet, no início da tarde.
Imagens de TV mostravam que a Polícia Militar usou bombas de gás, tiros de balas de borracha e spray de pimenta para dispersar o protesto. Desde o início da manhã, grupos de manifestantes, concentravam-se no entorno do estádio.
Segundo o tenente-coronel e assessor de comunicação da Polícia Militar, Zilfrank Antero, a situação estava sob controle e o torcedor poderia se dirigir "tranquilo ao estádio". Os torcedores têm sido orientados a entrar por outros portões que não estavam impedidos. Ao todo, foram vendidos 64.721 ingressos para a partida. No total, 3,2 mil policiais fazem a segurança no local, incluindo a Tropa de Choque e a Polícia Montada.
O protesto começou pela manhã na Rodoviária de Brasília. Depois, os manifestantes romperam barreiras colocadas pela polícia para controle de acesso ao estádio. Ao ultrapassarem o último obstáculo, a polícia usou bombas de gás como estratégia para "acalmar os ânimos" na ocasião, de acordo com o tenente-coronel. A Polícia Militar já tinha conhecimento da ocorrência da manifestação, segundo o assessor, por meio do monitoramento das redes sociais. Segundo ele, o ato não tem uma liderança única.
Nos últimos dias, inúmeros protestos foram realizados em cidades brasileiras. Na maioria deles, os manifestantes reivindicaram a revogação do aumento da tarifa do transporte público. Em São Paulo, houve quebra-quebra e confronto entre manifestantes e a polícia.
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