O subcomandante-geral da Brigada Militar no Rio Grande do Sul, coronel Paulo Roberto Mendes, disse que encaminhará nesta sexta-feira ao Ministério Público Estadual um relatório pedindo o fim da marcha do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que está acontecendo há dez dias em várias cidades e rodovias.
Grupos de sem-terra deixaram seus assentamentos, em vários pontos do Estado, para caminharem até Coqueiros do Sul (314 km de Porto Alegre), cidade onde se localiza a fazenda Guerra, cuja desapropriação vem sendo pedida pelo movimento há quatro anos. A previsão do MST é chegar ao local no fim deste mês para realizar protesto pela reforma agrária.
Segundo Mendes, pequenos confrontos e discussões vêm se acentuando no decorrer dos dias, porque ruralistas passaram a montar acampamentos próximos aos sem-terra.
— Estou fazendo este pedido para que a marcha seja parada pela força da lei, antes que seja parada pela força da bala — disse o coronel. Mendes afirmou que nesta quarta, pelo segundo dia consecutivo, a Brigada Militar precisou intervir em brigas entre integrantes do movimento e ruralistas, o que tem se repetido ao longo da marcha.
— Colocaram fogo em tratores de uma fazenda. Já os sem-terra acusaram os ruralistas de jogarem pedras num alojamento onde estão acampados. A relação está ficando complicada e não queremos ver um banho de sangue. A polícia não pode ficar andando pelo Rio Grande do Sul afora atrás do MST — disse.
O coronel afirmou que vai colocar no relatório que encaminhará ao MPE todos os conflitos que ocorreram desde que a marcha se iniciou, como forma de sustentar seu pedido.
Segundo Mendes, estão em caminhadas pelo Estado cerca de 3.000 integrantes do MST, todos em direção à cidade de Coqueiros do Sul. — A população da cidade é menor do que o número de manifestantes. É evidente que vai dar confusão — disse. Coqueiros do Sul tem 2.550 habitantes.