A polícia francesa resolveu ampliar a investigação sobre o prejuízo de 4,9 bilhões de euros (US$ 7,17 bilhões) do Société Générale. Um segundo operador foi apontado, nesta sexta-feira, enquanto autoridades procuram descobrir se o operador Jerome Kerviel realmente agiu sozinho. A ampliação do foco da investigação acontece em um momento em que um tribunal se prepara para decidir se Kerviel, operador de 31 anos acusado pelo banco francês por grandes operações não autorizadas, deve ficar sob custódia.
Fonte ligada à questão afirmou à agência inglesa de notícias Reuters que a polícia está interrogando um operador na corretora que executou as ordens para Kerviel. A fonte afirmou que uma detenção provisória de 24 horas havia sido prorrogada por mais um dia. A corretora é uma subsidiária do SocGen conhecida como Fimat, mas foi rebatizada este ano como Newedge depois que se fundiu com a Calyon Financial. A polícia investigou o escritório da corretora na quinta-feira.
Se a investigação apontar que outras pessoas estiveram envolvidas com as operações ilícitas de Kerviel, os promotores podem ganhar novas bases para as acusações de fraude. O advogado do SocGen, Jean Veil, afirmou que ainda é "prematuro" fazer qualquer comentário sobre os rumos da investigação. Kerviel foi colocado sob investigação por quebra de confiança e falsificação, mas foi solto sob supervisão judicial em 28 de janeiro depois que magistrados retiraram as acusações de fraude.
Em Paris, promotores apelaram contra a decisão e o resultado da apelação deve ser conhecido ainda nesta sexta-feira. A promotoria primeiro havia afirmado que temia pelo estado psicológico de Kerviel, mas pediu ao tribunal que colocasse Kerviel sob custódio por receio de que ele fuja.
- É preciso verificar se Kerviel se beneficiou pessoalmente - afirmou a jornalistas a porta-voz da promotoria, Ulrika Weiss, na quinta-feira.
O Société Générale acusa Kerviel de negócios não autorizados que levaram o banco a um prejuízo recorde de 4,9 bilhões de euros quando a instituição fechou suas posições. Kerviel afirmou à agência francesa de notícias France Presse, em entrevista na terça-feira, que ele aceita sua parte de responsabilidade pelos prejuízos mas disse que não quer ser feito de bode expiatório.