A prisão foi determinada pela 11ª Vara da Justiça Federal da capital de Goiás, que acatou pedido do Ministério Publico Federal
Por Redação, com ABr - de Brasília:
O ex-presidente da estatal Valec Engenharia, Construções e Ferrovias José Francisco das Neves, conhecido como Juquinha, foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira, em Goiânia, pela Polícia Federal (PF). A prisão foi determinada pela 11ª Vara da Justiça Federal da capital de Goiás, que acatou pedido do Ministério Publico Federal (MPF).
De acordo com informações do MPF, um dos principais alvos da Operação De Volta aos Trilhos. O ex-presidente da Valec teve o primeiro pedido de prisão preventiva negado no último dia 25 de maio, quando foi deflagrada a operação.
– Naquela ocasião, a Justiça Federal entendeu que ainda não havia elementos que justificassem a custódia cautelar de José das Neves. Suspeito de lavagem de dinheiro oriundo de propina relacionada às obras de construção da Ferrovia Norte-Sul.
O novo pedido de prisão baseou-se nos depoimentos prestados por Fábio Júnio Santos Pereira e Mário Césio Ribeiro. Que foram conduzidos coercitivamente durante a ação da Operação de Volta aos Trilhos. “Ouvidos pela Polícia Federal, os dois teriam confirmado o envolvimento direto de Juquinha em todos os atos de lavagem de dinheiro”. Diz a nota do MPF.
Ferrovia Norte-Sul
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal lançaram uma operação na semana passada. Para desmontar um esquema de lavagem de dinheiro oriundo de propinas pagas na construção da ferrovia Norte-Sul. Em um desdobramento da operação Lava Jato, tendo como alvos pessoas já condenadas que continuariam a cometer crimes, informou o MPF.
Foram expedidos mandados de prisão para Jader Ferreira das Neves, filho do ex-presidente da estatal Valec José Francisco das Neves, e para o advogado Leandro de Melo Ribeiro. Enquanto pedido de prisão formulado pelo MPF contra o próprio José Francisco foi rejeitado pela Justiça.
– As prisões foram pedidas porque se apurou que os investigados, mesmo depois de condenados. Continuam a cometer crimes de lavagem de dinheiro (estão em plena atividade criminosa). Estão produzindo provas falsas no processo para ludibriar o juízo e assegurar impunidade. Além de custearem parte de sua defesa técnica (advogados) com dinheiro de propina – disse o MPF em comunicado.
O ex-presidente da Valec e seu filho são suspeitos de continuarem a lavar dinheiro oriundo de propina, mantendo oculto parte do patrimônio. Apesar de já terem sido condenados a 10 e 7 anos de prisão. Respectivamente, por formação de quadrilha e lavagem de aproximadamente R$ 20 milhões provenientes da prática de crimes de cartel, fraudes em licitações, peculato e corrupção nas obras de construção da Ferrovia Norte-Sul.
Os dois aguardavam julgamento de seus recursos em liberdade. Já o advogado Leandro de Melo Ribeiro é apontado como suspeito de ser laranja do esquema para auxiliar na ocultação de patrimônio.
Acordos de delação
A operação contou com acordos de delação premiada de executivos das construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez com o Ministério Público Federal em Goiás em colaboração com a força-tarefa da Lava Jato. Nos quais os empresários confessaram o pagamento de propina ao então presidente da Valec. Como parte das obras de construção da Ferrovia Norte-Sul.
A ferrovia Norte-Sul, concebida na década de 1980. Ainda no governo José Sarney, será o principal eixo logístico de integração ferroviária do país. Ligando as regiões produtoras de grãos no Centro-Oeste do país aos portos da região Norte. Bem como à malha ferroviária do Sul e Sudeste. Ampliando as opções de escoamento até os portos, quando for finalmente concluída.