A Polícia Federal de São Paulo prendeu na manhã de terça-feira um dos traficantes mais procurados do mundo, de acordo com o Departamento de Combate às Drogas (DEA) dos Estados Unidos. O colombiano Juan Carlos Ramirez-Abadia, 44 anos, foi preso em um condominio de luxo de Aldeia da Serra, na Grande São Paulo.
A prisão ocorreu às 6h30 durante a Operação Farrapos, realizada pela PF em seis Estados brasileiros (SP, RJ, PR, SC, MG e RS). Nesta manhã são cumpridos 17 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão somente no Estado de SP.
Abadia é considerado pelos EUA um dos maiores traficantes de cocaína da Colômbia, chefiando o Cartel do Vale do Norte, principalmente a partir da cidade de Cali. Suas atividades podem incluir também o tráfico de heroína e lavagem de dinheiro.
Segundo informações do site do Departamento de Estado Norte-Americano, seu patrimônio pode chegar a US$ 1,8 bilhão, embora informações indiquem que ele tenha contraído muitas dívidas com outros traficantes. Abadia seria um homem extremamente violento e já foi acusado por diversos homicídios na Colômbia, entre eles as execuções de outros traficantes.
O Departamento de Estado dos EUA oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões para qualquer informação que levasse à sua prisão. Considerado herdeiro do cartel de Cáli, Abadia permanecerá preso, à disposição da Justiça, na sede da Superintendência Regional da PF, na Lapa (zona oeste de São Paulo).
Esta não é a primeira vez que Abadia é preso. Em março de 1996, ele se entregou à polícia colombiana e confessou ter enviado 30 toneladas de cocaína aos Estados Unidos e atuado no cartel de Tijuana (México). Com a confissão, o colombiano acabou beneficiado e, embora tenha sido condenado a 23 anos de prisão, foi solto em 2002.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos chegou a pedir a prisão dele para fins de extradição em 1996 pelo "presumível envolvimento" com o cartel do Vale do Norte da Colômbia, mas não foi atendido.
Histórico
Conforme a Polícia Nacional da Colômbia, Abadia está envolvido com o tráfico desde 1986. Nos anos 90, ele liderou uma organização que enviava centenas de toneladas de cocaína a Los Angeles e San Antonio, nos Estados Unidos, a partir do México. Os entorpecentes chegavam ao México por rotas aéreas e marítimas que partiam da costa colombiana.
— Ele criou sua própria rede distribuidora na cidade de Nova York, convertendo grande parte de seu capital fruto de negócios ilegais em bens dos quais a maioria está em nome de seus familiares e de terceiros — afirma a polícia.