Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Polícia Federal indicia Carla Cico, presidente da Brasil Telecom

Segunda, 11 de Abril de 2005 às 19:17, por: CdB

A Polícia Federal indiciou nesta segunda-feira a presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, por formação de quadrilha e divulgação de segredo no caso Kroll, informou a assessoria de imprensa da PF. O advogado da ré, Nélio Machado, disse que houve indiciamento também por corrupção ativa.

Carla depôs nesta manhã por aproximadamente três horas, ainda segundo a assessoria, mas saiu sem dar declarações. A executiva chegou à sede da PF pouco antes das 10 horas demonstrando tranquilidade e até sorrindo, e prometeu que falaria com jornalistas após depor.

Na saída, perto das 14 horas, porém, ela se mostrou nervosa e não fez nenhuma declaração, dizendo apenas que não falaria mais com a imprensa. Um dos advogados que a acompanhava, Antônio Carlos de Almeida Castro, chegou a afirmar que o depoimento foi "tranquilo."

A assessoria de imprensa da PF informou ainda que o empresário Daniel Dantas, sócio do gestor de fundos Opportunity, deve ser intimado na terça-feira, no Rio de Janeiro, mas não divulgou a data do depoimento. De acordo com o advogado Almeida Castro, o depoimento de Dantas deve acontecer no dia seguinte à entrega da intimação.

A pena para formação de quadrilha é de 1 a 3 anos de prisão e, para violação de segredo (que acontece quando existe divulgação de dados considerados sigilosos pela lei), de 1 a 4 anos.

Os dois executivos foram investigados pela PF por causa das atividades da consultoria de risco Kroll, contratada pela Brasil Telecom para investigar a Telecom Italia, com quem o Opportunity trava batalha pelo controle da operadora, a terceira maior da telefonia brasileira. A polícia investiga se a Kroll adotou métodos ilegais para fazer seu trabalho.

Uma fonte próxima ao processo informou recentemente à Reuters que a situação de Carla e Dantas é similar, ou seja, existem indícios de que ambos teriam cometido os mesmos crimes ao contratar a Kroll. A presidente da Brasil Telecom assumiu a operadora por indicação do Opportunity.

A PF tentou, no último mês, intimar os executivos para depor, sem sucesso. Os dois estiveram fora do país por várias semanas a trabalho, segundo seus advogados. Na semana passada, a PF chegou a entrar com mandado de prisão contra eles, negado pela 5a Vara da Justiça Federal de São Paulo. O juiz exigiu, no entanto, que os advogados acertassem datas para a intimação de ambos.

O objetivo da PF é entregar ainda este mês o relatório final das investigações do caso Kroll, que começaram no fim do ano passado, com busca e apreensão de documentos nos escritórios da empresa de risco e do Opportunity. As conclusões do caso, em seguida, serão encaminhadas à Justiça, responsável pelo julgamento. O Ministério Público também deve se pronunciar sobre o assunto.

Procurada, a assessoria de imprensa da Kroll informou que a empresa acompanha as investigações e acredita na "integridade" dos funcionários locais. A Kroll ganhou as páginas dos jornais em julho do ano passado com a denúncia de que teria espionado importantes figuras do governo federal.

No caso do ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação), a empresa teria conseguido e-mails antigos dele, antes de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomar posse. Na época, Gushiken teria trocado informações com o ex-sócio de Dantas no Opportunity, Luiz Roberto Demarco.

Além disso, a Kroll teria tido acesso a dados pessoais do ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, sempre de maneira ilegal. Casseb é ex-conselheiro da Telecom Italia.

De acordo a mídia, Gushiken e Casseb teriam orientado cinco fundos de pensão estatais, que são acionistas da Brasil Telecom, a desfazerem o acordo que permite ao Opportunity controlar a Brasil Telecom.

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