Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Polícia fecha o Senado para visitas após manifestação de estudantes

Sexta, 17 de Julho de 2009 às 08:58, por: CdB

Após o protesto de cerca de 15 estudantes, que entraram no prédio do Senado Federal no final da tarde desta quinta-feira e atiraram três pizzas no corredor que liga os gabinetes dos senadores ao Plenário, a Casa amanheceu fechada às visitas nesta sexta-feira. Os garotos vestiam camisetas com letras que formavam a frase: "Fora arney". Eles explicaram então que a letra "S" não estava presente porque o seu portador havia sido barrado pela segurança da Casa. A polícia legislativa, no entanto, negou ter detido o "S" e explicou que ele deve ter se perdido nos corredores do Congresso.

Protestos no Senado são proibidos, mas os estudantes conseguiram realizar o ato porque esconderam as camisetas com as letras, entraram na Casa pelas várias portarias com a desculpa de que iriam visitar gabinetes. O surgimento das pizzas, no entanto, ainda não foi explicado pelas autoridades policiais. Agentes do Senado suspeitam que algum funcionário, em um gabinete qualquer ligou para o "disque-pizza", o que confundiu a segurança

À noite, os estudantes mudaram o tom quanto à política nacional. Dessa vez, as campanhas pré-eleitorais da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) dividiram os participantes do 51º Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE), que contou com a presença da ministra e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma é a pré-candidata do PT para a eleição presidencial de 2010. Já o deputado é citado como possível candidato a presidente, mas está em seus planos concorrer a governador de São Paulo.

Antes da chegada das autoridades ao local do evento, uma pequena parcela dos cerca de 2,8 mil estudantes gritou:

– Brasil para frente, Ciro presidente.

Em seguida, a maioria do auditório respondeu com vaias e palavras de ordem em defesa da ministra, como "Olê, olê, olê, olá; Dilma, Dilma".

O presidente Lula também foi saudado com um coro, mas tentou frear os estudantes.

– Vocês vieram aqui para trabalhar ou para gritar? – brincou Lula, o primeiro presidente a participar de um congresso nacional da UNE desde que a entidade foi fundada, em 1937.

O presidente defendeu a ampliação do acesso ao ensino universitário e as cotas raciais, a autonomia da instituição estudantil para fazer reivindicações junto ao governo e o esclarecimento do destino dos mortos e desaparecidos pela ditadura militar. Ao falar das realizações sociais do seu governo, Lula se emocionou. O presidente também respondeu o pedido feito pelos estudantes por uma maior participação do Estado na Petrobras e pela nacionalização das reservas de petróleo localizadas na camada pré-sal.

Segundo Lula, Dilma lhe entregará a proposta final do novo marco regulatório do setor em 10 dias, que depois será enviado ao Congresso.

– Não quero que seja um projeto meu. Quero que seja um projeto da sociedade brasileira para que mais ninguém tente privatizar esse patrimônio nacional – afirmou.

A UNE, que recebeu recursos da Petrobras e outros órgãos públicos para realizar o congresso, fará uma manifestação nesta quinta-feira em defesa da estatal e do petróleo.

– A CPI da Petrobras (instalada no Senado) não é um balizador deste ato, mas vai ser comentada na passeata. Vai haver falas contra e a favor da CPI – disse a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.

Em seu discurso, a representante dos estudantes pediu a Lula que o Executivo reduza a meta de superávit primário e os juros a fim de haver mais capacidade para aplicar recursos no setor.

– Precisamos alcançar a meta de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) investidos em educação – concluiu.

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