Rio de Janeiro, 25 de Outubro de 2026

Polícia encontra carro que pode ter sido usado em perseguição na Tijuca

Terça, 08 de Julho de 2008 às 07:42, por: CdB

Um carro roubado apresentando características parecidas com as do veículo usado por bandidos durante uma perseguição, na Tijuca, Zona Norte do Rio, no último domingo foi apreendido na madrugada desta terça-feira pela polícia. A perseguição terminou na morte de João Roberto, três anos. O menino foi diagnosticado com morte cerebral na segunda-feira.

Um telefonema ao Disque-Denúncia levou a polícia ao carro roubado. Segundo a polícia, o veículo estava parado na Rua do Outeiro, próximo da Rua Ernesto de Souza, no Andaraí, Zona Norte da cidade. A rua dá acesso ao Morro da Cruz.

Durante uma entrevista coletiva realizada na tarde de segunda-feira, o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, falou sobre o caso. Beltrame definiu a ação dos policiais militares, que alegaram terem confundido o carro metralhado com o de bandidos, como desastrosa e inadmissível. Segundo ele, "a infeliz atuação dos policiais" denota falta de preparo psicológico e operacional.

– O policial não tem o direito de errar. Temos que ter discernimento para agir em casos como este. Temos que ter critério, saber quando e onde atirar. Rapidez de discernimento é um requisito inerente à função. Um fato como este não tem desculpa. O governador Sérgio Cabral e eu estamos consternados com esta tragédia – disse Beltrame.

O secretário de Segurança explicou que o caso será investigado e que os dois policiais estão presos em uma unidade administrativa da corporação. As armas utilizadas nos disparos ao menino de 3 anos já foram recolhidas.

– O caso será elucidado no inquérito, mas as explicações são irrelevantes diante do que ocorreu – acrescentou.

Beltrame admitiu que é preciso intensificar o treinamento dado aos membros da polícia, mas acrescentou que a Secretaria de Segurança vai colocar em prática projetos de capacitação como o de uma universidade para policias.

– Infelizmente, a mudança de cultura não acontece em um fim de semana. Estamos preparando e, em breve, iremos apresentar o projeto da universidade e da cidade do policial. No caso da universidade, vamos mudar a grade curricular da formação da corporação, e nosso intuito é mexer com a essência das instituições policiais – enfatizou.

No fim da coletiva, Beltrame lembrou que o ocorrido não pode ser motivo para que a população crucifique a corporação como um todo.

–  Não podemos crucificar mais de 30 mil policias, mas vamos lutar para que esta tragédia tenha punição devida – finalizou.

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