Estudantes venezuelanos entraram em choque com a polícia nesta terça-feira durante uma passeata contra o projeto de reforma constitucional que está sendo debatido na Assembléia Nacional da Venezuela.
Milhares de estudantes participaram da marcha pelas ruas de Caracas, a capital venezuelana. Segundo a agência de notícias estatal, os estudantes jogaram pedras e garrafas nos policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo.
“Não à reforma" foi o coro entoado pelos manifestantes, que se dirigiram à Assembléia Nacional para entregar uma petição em que solicitam o adiamento do referendo previsto para 3 de dezembro.
— Queremos debater a reforma e fazer uma verdadeira discussão sobre as mudanças de que o país necessita —, disse Stalin Gonzalez, um dos dirigentes da manifestação, para quem a reforma é "inconstitucional".
Outro participante do protesto, Luis Hernandez, disse à BBC Brasil que os estudantes não vão aceitar a reforma "assim como eles (o governo) querem" e reforçou a necessidade de discutir as mudanças.
Petição
Um grupo de representantes dos estudantes foi escoltado pela Guarda Nacional até o interior da Assembléia Nacional, onde a petição foi apresentada aos deputados.
— Recebemos os estudantes e, em poucos dias, apresentaremos suas propostas à opinião pública —, disse o deputado Calixto Ortega, um dos parlamentares que recebeu a comissão estudantil.
— Não mudaremos uma vírgula da Constituição se o povo não quiser —, afirmou.
O referendo, que os estudantes propõem que seja realizado em 3 de fevereiro, deverá aprovar ou não a reforma proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
O texto da reforma está em sua terceira e última discussão e deverá ser aprovado ainda nesta semana. Logo depois, o Conselho Nacional Eleitoral se encarregará de convocar o referendo.
Reeleição
Há um mês, Chávez apresentou um projeto de reforma de 33 artigos da Constituição elaborada em 1999.
Posteriormente, os parlamentares incluíram na proposta a modificação de mais 28 artigos. No total, 16% da Constituição poderá ser mudada.
Para a oposição, o ponto mais polêmico da proposta de reforma é o artigo que permite o fim do limite para reeleição para o cargo de presidente.
A Constituição vigente prevê apenas uma reeleição direta com um período de seis anos para cada mandato.
A reforma também propõe a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias, o fim da autonomia ao Banco Central, a inclusão do "poder popular" na escala dos poderes estatal, nacional e local, e a proibição do latifúndio.
Polícia e estudantes entram em choque em Caracas
Terça, 23 de Outubro de 2007 às 18:44, por: CdB