Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Polícia do Senado toma depoimento de funcionárias de Efraim Morais

A Polícia do Senado, depois de pedir a quebra do sigilo bancário das duas irmãs que estavam registradas na Casa como funcionárias fantasmas, confirmou a irregularidade, nesta terça-feira, após tomar o depoimento de duas outras funcionárias do gabinete do senador Efraim Morais (DEM-PB). (Leia Mais)

Terça, 01 de Junho de 2010 às 11:57, por: CdB

A Polícia do Senado, depois de pedir a quebra do sigilo bancário das duas irmãs que estavam registradas na Casa como funcionárias fantasmas, confirmou a irregularidade, nesta terça-feira, após tomar o depoimento de duas outras funcionárias do gabinete do senador Efraim Morais (DEM-PB). Mônica Bicalho e Kátia Bicalho, que era terceirizada, afirmaram em depoimentos que duraram quase 12 horas aos policiais legislativos, que ficavam com parte do salário das irmãs Kelly e Kelriany Nascimento porque estas teriam uma dívida com elas.

Ainda segundo o relatório da polícia, as funcionárias do senador não quiseram informar o valor da suposta dívida e o advogado delas, Cleber Lopes, também se recusou a passar esta informação. Em seu depoimento, Kátia afirmou que somente R$ 100 dos R$ 3,8 mil de salário mensal era repassado por mês para cada irmã, em decorrência dessa dívida.

O advogado confirmou também, em conversa com jornalistas, que Kátia tinha procuração das irmãs para abrir e movimentar as contas bancárias. Ele confirmou que as duas não tomaram posse diretamente no Senado e assinaram a procuração para uma terceira pessoa, mas garantiu que elas sabiam que estavam trabalhando para o senador paraibano. Nenhum documento, porém, foi apresentado por Lopes para confirmar a versão de suas clientes.

Para o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo de Araújo Carvalho, o fato de não terem sido apresentados quaisquer documentos enfraquece a versão da dívida.

– Claro que enfraquece porque se tem documento fica tudo mais fácil – acrescentou.

Ele disse não estar descartado pela Polícia do Senado a realização de uma acareação entre Kátia, Mônica, Kelly e Kelriany.

Ainda segundo a polícia do Senado, o senador ainda não é alvo da investigação e que se algo o envolver o caso irá para a Corregedoria da Casa.

Efraim, no entanto, foi denunciado à Polícia Federal por suspeita de contratação de funcionários fantasmas, com base no depoimento das irmãs Kelriany e Kelly Nascimento da Silva. Ambas não tinham emprego fixo, mas recebiam o que acreditavam ser uma bolsa de estudos de R$ 100 que duas amigas teriam conseguido junto à Universidade de Brasília (UnB).

Segundo a história contada por elas, as amigas pediram documentos e autorização para abrir conta em banco e as levaram a locais fora do Senado para fazer um exame de saúde que seria necessário para a bolsa. Na verdade, se tratava de um exame admissional. Nesta tarde, a Polícia do Senado pretende ouvir os médicos que realizaram estes exames.

As irmãs Kelly e Kelriany só descobriram que eram funcionárias do Senado no mês passado, quando uma delas conseguiu um emprego e foi abrir uma conta bancária. Elas descobriram que já estavam empregadas no gabinete do senador e que "recebiam" um salário de R$ 3,8 mil.

Segundo as irmãs que fizeram a denúncia, uma das amigas que pediu a procuração é Mônica da Conceição Bicalho, que trabalha para o senador. Em nota, a funcionária de Efraim afirmou que o senador não tinha conhecimento da contratação das duas irmãs. Disse ainda que as duas prestavam serviços externos ao gabinete.

O pedido de quebra de sigilo de Kelly, Kelriany, Mônica e Kátia tem a intenção de descobrir onde foi parar o dinheiro que era depositado pelo Senado. Apesar do pedido de Efraim, ainda não houve exoneração das duas "fantasmas" e de Mônica. A direção da Casa quer esperar o resultado das investigações para cobrar o ressarcimento aos cofres públicos dos valores pagos. Além da Polícia do Senado, uma sindicância administrativa também foi aberta para apurar o caso.

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