Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

Polícia do Rio usa mais tecnologia contra o crime

Quarta, 15 de Agosto de 2007 às 07:39, por: CdB

Para quebrar a espinha dorsal do tráfico, sustentado pelos altos lucros da venda de drogas, a polícia planeja outras operações – semelhantes às realizadas no Alemão e Rocinha – até o fim do ano. Para isso, grupos de delegados das unidades especializadas estão se reunindo com freqüência para planejar ações de impacto em diversas favelas. Nas reuniões, a convicção generalizada é de que um dos principais aliados da Polícia nas operações é a tecnologia.

— Nossa prioridade, hoje, não é prender o líder do tráfico, mas atingir a quadrilha financeiramente. Assim, eles não terão condições de comprar armas e drogas. Prender o chefão será uma conseqüência desse enfraquecimento — explica o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), o delegado Allan Turnowski, que coordena as operações. 

Ações integradas das delegacias especializadas

Segundo Turnowski, as delegacias especializadas – Roubos e Furtos de Carros, de Cargas, Repressão a Entorpecentes e Armas e Explosivos, entre outras – estão na linha de frente do combate à criminalidade. O objetivo é montar grandes operações de resultados. Para alcançar o objetivo, policiais recorrem aos recursos tecnológicos disponíveis. E também contam com novos investimentos.

— Estamos planejando ações integradas. Ou seja, quando entramos numa favela, nossa meta não é só cumprir mandados de prisão, mas também recuperar veículos roubados e apreender o maior número possível de armas e drogas — afirma. — A polícia precisa de tecnologia para ter mais agilidade — enfatizou.

Além do Centro de Controle, com câmeras instaladas em pontos estratégicos da cidade, cedido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública  a polícia conta agora com um novo equipamento para interceptações telefônicas .

O novo sistema - Guardião -  permite análises de dados de inteligência policial e a execução de escutas simultâneas. Isso aumentou a capacidade de monitoramento da polícia e revelou, numa conversa entre um traficante da Rocinha e uma mulher, a mudança de comportamento das quadrilhas depois da megaoperação no conjunto de favelas do Alemão, no subúrbio do Rio, em junho, quando 19 pessoas morreram.

 Traficante diz que melhor estratégia é recuar

Em uma gravação, um traficante afirma que para evitar mortes a quadrilha não deve enfrentar a polícia. — Eles (os policiais) estão fazendo o serviço deles. A gente tem que fazer o nosso, que é se esconder deles —. A mulher comenta, com ironia: — É. Eles até avisaram que vinham — provavelmente numa referência ao anúncio antecipado das  operações e aos alertas aos traficantes feitos pelo policial civil Sérgio Luiz de Albuquerque, preso sob a acusação de vazar informações sobre ações na favela.

Programas na internet são outras ferramentas que a polícia passou a usar. Um exemplo: o policial fotografado usando um laptop durante ação na Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio, no dia 2.

Ele acessava o programa Google Earth para comparar imagens da região feitas por satélite. A finalidade é atualizar o mapeamento das favelas elaborado a partir de informações de colaboradores da polícia. — É um recurso que não podemos dispensar — afirma o delegado.

Esse novo conceito tem sido estimulado, principalmente, pelo secretário de Segurança Pública (Seseg), José Mariano Beltrame, que já foi chefe da Interpol e atuou na área de Inteligência da Polícia Federal no combate ao crime organizado.

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