A polícia do Rio está contando com a ajuda da polícia de São Paulo para encontrar Alessandra D’Ávila, de 35 anos, principal suspeita de ter matado a facadas o marido, Renato Biasoto, crime ocorrido na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense, no último sábado. Nesta sexta-feira, as buscas foram estendidas para São Paulo porque Alessandra tem parentes em São Bernardo do Campo e seu carro - Mitsubishi preto, placa LAH 6843 - foi flagrado pelas câmeras da Rodovia Presidente Dutra passando pela via algumas horas depois do asassinato.
No início da noite passada, a Justiça decretou o pedido de prisão preventiva de Alessandra Ramalho, pedido de prisão autorizado pelo juiz Sidney Rosa, do 3º Tribunal do Júri da Capital, que recebeu a denuncia do Ministério Público estadual. Ainda na quinta-feira, o Disque-Denúncia divulgou um cartaz com a foto de Alessandra. Segundo o advogado, ela agiu em legítima defesa, o que teria sido agredida pelo marido. Mesmo assim, a polícia decidiu indiciá-la por homicídio qualificado, quando há motivo fútil. Nesse caso, a desproporção da atitude dela em relação ao ciúmes do marido.
Para o delegado Carlos Augusto Nogueira, titular da 16ª DP - Barra da Tijuca - a situação de Alessandra Ramalho se agravou. O resultado do laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou lesões de defesa no corpo do empresário. São marcas nos dois braços e cortes no rosto. Para o delegado, isso agrava ainda mais a situação de Alessandra Ramalho, porque mostra que o marido dela teria tentado se defender dos golpes de faca. O advogado de Alessandra, João Mestieri, alega que ela agiu em legítima defesa. A polícia pretende ouvir ainda a empregada do casal.
Quanto ao alvará judicial ajuizado por Francisca Teresa Correa Mano, na 48ª Vara Cível da capital, com pedido de cremação do corpo do empresário Renato Biasotto Mano Junior, ainda não houve decisão por parte do juiz Mauro Nicolau Júnior. Ele determinou que a autora regularize a situação do processo e apresente a manifestação de vontade da vítima de ser cremado.
O crime
Na manhã de sábado, Renato Biasotto teria descido ao hall do condomínio e pedido ajuda ao porteiro. Segundo a testemunha, a vítima sangrava muito e apresentava ferimentos no peito, além de cortes no rosto. A mulher foi avisada, mas deixou o prédio na companhia do filho do casal, de cinco anos.
Na segunda-feira, o advogado de Alessandra admitiu que sua cliente é a autora do crime, mas alegou que ela agiu em legítima defesa, pois o empresário estaria bêbado e teria tentado agredí-la. A mulher ainda não se entregou à Justiça e é considerada foragida.