Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

Polícia do Rio matou 845 suspeitos em 8 meses

As polícias Civil e Militar mataram 845 suspeitos em confrontos entre janeiro e agosto deste ano, no Rio de Janeiro. O número consta em um levantamento do Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP). Os meses de setembro e outubro ainda não foram totalizados, mas a Secretaria de Segurança já registrou dezenas de óbitos nos chamados "autos de resistência", nesses dois meses.

Sexta, 19 de Outubro de 2007 às 08:56, por: CdB

As polícias Civil e Militar mataram 845 suspeitos em confrontos entre janeiro e agosto deste ano, no Rio de Janeiro. O número consta em um levantamento do Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP). Os meses de setembro e outubro ainda não foram totalizados, mas a Secretaria de Segurança já registrou dezenas de óbitos nos chamados "autos de resistência", nesses dois meses. Somente na quarta-feira, 10 suspeitos morreram em uma operação nas favelas da Coréia e do Taquaral, em Senador Camará, na Zona Oeste da capital.

Apesar de no primeiro semestre ter ocorrido um aumento de 33,5% no número de vítimas fatais em relação ao mesmo período de 2006, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, não pretende modificar a forma de atuação dos policiais nas favelas cariocas.

— Esse problema que nós temos no Rio de Janeiro, a sociedade tem que se convencer de que é um problema histórico, é um problema cultural e, portanto, um problema complexo. Não vai ser com ações leves que nós vamos resolver um problema crônico — disse.

Entre as operações com maior saldo de vítimas fatais estão a que deixou 19 suspeitos mortos, no dia 27 de junho, no complexo de favelas do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense; e a de quarta-feira, quando 12 pessoas morreram nas favelas da Coréia e do Taquaral, em Senador Câmara, na Zona Oeste. Nessa última, além de supostos traficantes, um policial civil e uma criança de 4 anos morreram.

De acordo com o sociólogo Guilherme Carvalhido, a polícia sempre teve dificuldade de se infiltrar nas favelas e, agora, está tentando recuperar o "tempo perdido". — O que a gente tem que discutir é como a população vê isso. Infelizmente, a classe média está vendo isso de forma positiva. As pessoas acham que os ataques violentos nas favelas resolvem, mas isso cria um desconforto entre classe média e pobres — destacou.

 

Tags:
Edições digital e impressa