O caso foi registrado na 6ª DP, da Cidade Nova, no Rio de Janeiro
Integrantes de uma quadrilha que aplicava golpe de falso sequestro de dentro de presídios do Rio foram interceptados pela Polícia Civil e, nesta terça-feira, já respondem a novos processos por conta do crime. O grupo recebia treinamento especializado do chefe do bando, Rogério Barboza, de 56 anos, que ensinava como enganar as vítimas, segundo relato de policiais civis a jornalistas. O pagamento ao "professor" era de 30% de tudo que era extorquido, como apuraram os investigadores. A quadrilha chegou a receber depósitos de até R$20 mil de pessoas que acreditam que parentes estavam em risco.
O delegado Antenor Martins Júnior, titular da 6ª DP, relata que um preso se passava por vítima, inclusive imitando voz de mulher, enquanto outro preso fazia exigências. Elas eram: não envolver polícia, não desligar o celular e rasgar os comprovantes de depósito. Segundo contou, os investigadores conseguiram achar dois comprovantes em lixeiras de agências bancárias. Os integrantes da quadrilha faziam uma espécia de nepotismo cruzado. Quando um aplicava um golpe, o depósito era feito na conta da esposa de outro.
~ As principais vítimas são idosos e mulheres de meia idade. Os criminosos mudavam a quantia do golpe de acordo com o poder econômico de cada vítima. Com as festas de fim de ano, o ritmo de golpes aumentou para conseguir mais dinheiro – disse o delegado aos jornalistas.
Há três meses, quando começou a investigação, uma senhora registrou queixa na 6ª DP (Cidade Nova) após ser lesada em quase R$3 mil. Desde então, os policiais grampearam celulares e conseguiram identificar a quadrilha, formada por 11 pessoas. Seis delas tiveram o mandado de prisão expedido e outras cinco respondem em liberdade. O "Professor" já cumpria pena em Bangu 2; Isaac Augusto Fontes das Neves, de 23 anos; Lauson Gomes Fontes, de 28; e Edmar Napoleão da Silva, de 31, que seria liberto nesta segunda, foram capturados na mesma cela do presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão. Eles já eram condenados com penas de até 43 anos, por crimes como latrocínio, homicídio e roubo.
Contas bancárias
Os investigadores prenderam, ainda, Isabel Cristina Franca Benfica, de 38 anos, em Petrópolis. A suspeita era uma das envolvidas que cedida sua conta bancária para que as vítimas fizessem depósitos. Em seguida, elas transferiam a quantia para contas determinadas pelos bandidos. Namoradas ou esposas dos presos também franqueavam as contas bancárias aos criminosos. Uma das mulheres que recebeu depósitos na conta bancária é uma suposta namorada de Isaac. Segundo o preso, ele conheceu a mulher através de um bate-papo de mensagem instantânea.
Rosângela Barboza Moura, de 39 anos, uma das envolvidas, está foragida. A Polícia espera que outras vítimas registrem queixa contra a quadrilha. Na cela do presídio Evaristo de Moraes, onde cerca de 60 detidos cumprem pena juntos, os policiais encontraram um aparelho celular e três chips. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Vila Cruzeiro, Duque de Caxias, Petrópolis, Três Rios e São Fidélis. A quadrilha também já aplicou golpes em estados no Norte, Nordeste e em Minas Gerais.
Rogério Barboza, o Professor, de sua cela no presídio Bangu 2, de segurança máxima, era o diretor de uma autêntica "escola profissionalizante do crime", disse o delegado.
– Nas escutas telefônicas realizadas com ordem judicial, percebeu-se que os bandidos seguiam um roteiro. Um bandido se passava pela vítima e em seguida outro assumia a ligação. No roteiro, um bandido deveria se passar pela vítima e em seguida outra bandido assumia a ligação. Ele deveria dizer que o parente havia sido roubado e estava no carro do sequestrador. Caso o dinheiro não fosse depositado, a suposta vítima levaria um tiro na cabeça. A vítima era obrigada a dizer quem estava em casa, em qual banco tinha conta e quanto de dinheiro tinha disponível. Após isso as negociações começavam. A vítima, nervosa, cedia a todas as exigências – relata a autoridade.
Por celular, ele ensinava, passo a passo, como seus pupilos deveriam fazer para extorquir as vítimas do falso sequestro.
– O Rogério ensinava aos outros do bando porque viu que era mais fácil do que ele mesmo aplicar o golpe e ter que encontrar alguém que disponibilizasse a conta para fazer o depósito. Quando alguém do grupo concretizava o golpe, tinha que pagar 30% para o Rogério pela assessoria – contou o delegado Antenor.
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