Nesta quinta-feira pela primeira vez eu tive oportunidade de conversar com um norte-americano que estava em Nova Iorque no dia dos atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Perguntei a ele como havia sido aquele dia e ele não quis entrar muito no assunto, apenas se restringiu a dizer que perdeu um grande amigo em uma das torres.
Contudo, não me contentei com a resposta dele e o questionei sobre o que achava da política internacional que vem sendo aplicada pelos Estados Unidos. Como os próprios índices de aprovação do presidente George Bush mostram (estão baixos, mas nem tanto quando se trata da aprovação à invasão do Iraque ou do Afeganistão), ele foi enfático ao dizer "o povo iraquiano pediu a nossa ajuda e nós ajudamos. No Afeganistão aconteceu a mesma coisa. Na época da Guerra Fria nós demos a nossa ajuda para eles".
Nós que estamos de fora do conflito, sendo atingidos apenas indiretamente, pensamos "no que será que esse sujeito está falando?". Mas a opinião dele reflete o que pensa a maioria do povo norte-americano. Para eles, foi isso que foi vendido. Nas "high schools" dos Estados Unidos, os cursos são direcionados. Se a profissão escolhida não tiver como base história ou geografia, esses nunca estudarão isso. Ou seja, há uma certa falta de informação geral quando se trata de "resto do mundo", tanto geograficamente quanto historicamente. Já ouvi muito norte-americano jurando que o Brasil fica na África e que andamos em cima de elefantes. O próprio George Bush confundiu Argentina com o Brasil e o Brasil com a Argentina duas vezes.
Para o norte-americano comum é impossível pensar que alguém pode não gostar do presidente deles ou não querer ter nascido nos EUA. O índice de rejeição aos Estados Unidos para eles cheira mais a uma inveja do que oposição a uma política internacional passível de inúmeras criticas.
Em uma conversa de meia hora é possível ver em uma única pessoa o que vemos em uma sociedade inteira. Eles não enxergam muito além dos seus próprios umbigos. George Bush pensa que o resto mundo é o seu quintal no Texas e acha que pode fazer o que bem entender com ele. Diz que Irã e Coréia têm que parar com o seu programa nuclear. E quem pára o programa nuclear norte-americano? Quem disse que os EUA podem ser a polícia do mundo? E se eles querem ser, quem será a Corregedoria de Polícia? A ONU?
A História, tão pouco aprendida pelo grosso da população yankee, já nos ensinou que todos os impérios caem. Mais cedo ou mais tarde, mas caem.
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