A polícia do Haiti, com o apoio de militares da Organização das Nações Unidas (ONU), invadiu uma base de ex-soldados rebeldes acusados pelo governo de matar quatro policiais em um ataque ocorrido no final de semana.
Uma menina morreu durante a operação em Petionville, na periferia de Porto Príncipe, disseram testemunhas. Uma porta-voz da polícia afirmou que nenhum membro das forças de segurança ficou ferido e que três pessoas tinham sido detidas.
Os quatro policiais foram mortos no bairro de Clercine, na noite de domingo, a pouca distância da base das forças de paz da ONU, enquanto faziam a segurança de uma banda de música que participaria de uma parada no Centro da cidade.
Um porta-voz da polícia, Jessie Coicou, disse que os agressores haviam sido identificados como ex-membros das Forças Armadas, desmontada uma década atrás. O líder dos ex-soldados, Ravix Remissainthe, rebateu as acusações.
O coronel Carlos Chagas, porta-voz das forças da ONU, afirmou que a missão de paz não tinha sido informada com antecedência sobre a operação e que foi chamada para ajudar apenas depois de a polícia ter dado início à invasão.
- Mesmo não tendo sido avisados da operação, quando fomos chamados, enviamos soldados para dar apoio à polícia do Haiti, que enfrentava uma situação difícil - afirmou Chagas à Reuters, acrescentando que 150 soldados da ONU e policiais participaram da operação.
A menina, com menos de 10 anos, foi morta quando os policiais dispararam contra um veículo perto da base dos ex-soldados, segundo Jean-Baptiste Inexan, motorista do veículo.
- Eu vi um grupo de policiais que se escondiam em um canto. Estava com duas crianças no carro. Coloquei minhas mãos para cima e disse: 'Tenho duas crianças no carro, posso voltar? - contou Inexan.
- Um deles disse que eu podia. Então, quando comecei a voltar, eles abriram fogo - disse ele, ressaltando que a outra menina presente no carro foi atingida por uma bala no tornozelo.
Membros das forças de paz da ONU - lideradas pelo Brasil - disseram ter recebido informações sobre a morte, mas negaram ser responsáveis por ela.
- Nossos soldados não dispararam nenhum tiro - afirmou Chagas.
Os soldados da ONU e a polícia haitiana tentam restabelecer a ordem no Haiti desde que o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide foi exilado em fevereiro de 2004, em meio a uma revolta armada e a pressões dos EUA.