O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirmou na tarde desta segunda-feira que o latrocínio (roubo seguido de morte) é a única hipótese descartada pela polícia no caso do assassinato de um alto executivo da Shell em sua própria casa, ocorrido neste domingo.
De acordo com o secretário, o depoimento da filha mais velha do norte-americano Todd Staheli, uma garota de 13 anos, ofereceu uma das principais pistas da investigação. Em depoimento não assinado, ela teria dito que o pai recebera um telefonema ameaçador "alguns dias antes" do assassinato. O Jornal Nacional informou que o executivo havia brigado por telefone com alguém da Inglaterra, sobre trabalho. Segundo o jornal, a Shell declarou que não foi informada sobre nenhuma pressão sofrida pelo executivo.
"Num depoimento informal, que ela não quis assinar por causa do consulado (norte-americano), ela diz que o pai teria recebido um telefonema de Londres, reclamando da forma como ele estaria tocando o projeto do gasoduto Brasil-Bolívia", contou Garotinho, marido da governadora Rosinha Garotinho (PMDB).
O secretário disse que o trabalho realizado pelos peritos na casa do executivo e no quarto onde o corpo foi encontrado não constatou qualquer anormalidade. Garotinho revelou que os peritos usaram reagentes químicos para localizar pistas deixados pelo criminoso ou criminosos, mas nada foi detectado. Ele informou que está com uma equipe de policiais trabalhando no caso e descartou o crime de latrocínio (assassinato seguido de roubo).
Garotinho informou que aparentemente não houve roubo, já que a empregada do casal localizou os pertences dos norte-americanos, como relógios Rolex e jóias. Ele acrescentou que o equipamento de segurança do condomínio não registrou nada suspeito, que não havia sinais de arrombamento na casa e que não foram encontrados vestígios de sangue nem impressões digitais no local. "Nenhuma linha (de investigação) foi descartada, a não ser latrocínio", resumiu Garotinho.
A arma
O executivo morreu vítima de ferimentos possivelmente causados por uma machadinha juntamente com sua mulher, Michele, que também foi atacada. Os dois foram encontrados por um dos filhos do casal em uma luxuosa casa no condomínio da Barra da Tijuca.
Michele está em coma no hospital devido a um ferimento na cabeça. Seu estado é grave. A Shell informou que está providenciado a vinda de familiares para cuidar dos quatro filhos menores do casal, de idades entre três e 13 anos, que estão sob o cuidado de amigos.
O motorista e a empregada da família estavam de folga durante o incidente.
Diretor para Gás e Energia da Shell, Staheli, 39, estava no Brasil há pouco mais de três meses com a família. Ele trabalhou antes na unidade ucraniana da empresa e foi vice-diretor de joint-ventures em energia e gás natural no Cone Sul. "Realmente é uma situação de bastante complexidade", afirmou Garotinho. "O caso é bastante diferente dos habituais", completou.
A arma do crime não foi encontrada. "Pode ter sido uma machadinha ou uma tesoura de grama", disse.
Um especialista em segurança de São Paulo confirma a teoria de que não se tratou de um crime comum. Roger Brown, diretor de segurança do Grupo de Controle de Riscos, disse que o crime parece ter sido cometido por "alguém procurando vingança ou desforra".
Sigilo telefônico
A Polícia vai pedir a quebra de sigilo dos telefones da família do executivo para descobrir se há alguma ligação suspeita que leve ao autor ou autores do crime, de acordo com Garotinho.
A Shell divulgou hoje uma nota declarando-se "profundamente consternada" com o falecimento de Staheli. Um porta-voz da empresa disse que a segurança da equipe foi e continuará sendo "uma alta prioridade".
"A Shell reitera sua confiança de que as circunstâncias do ocorrido serão esclarecidas a partir do trabalho de investigação que está sendo desempenhado pelas autoridades policiais do Estado do