A polícia metropolitana de Londres rebateu, nesta terça-feira, as acusações relativas ao assassinato, no ano passado, do brasileiro Jean Charles de Menezes, e afirmou que o caso poderá ser usado como exemplo para o policiamento. Os oficiais que atiraram no brasileiro de 27 anos de idade na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, acreditando que se tratasse de um terrorista suicida, não serão indiciados.
Em vez do indiciamento criminal, a força policial de Londres será processada dentro de uma legislação que costuma ser usada para resolver incidentes de trabalho. A família de Jean Charles criticou a alegação de inocência, mas disse que ela já era esperada.
- Nossa esperança era receber uma admissão de culpa em vez de fazer o caso se arrastar entre um ano e meio e dois anos, fazendo a família sofrer - disse Asad Rehman, representante dos parentes.
Ele disse, nesta terça, que a família ainda pretende receber informações sobre como o brasileiro morreu, e está pensando na possibilidade de entrar na Justiça para questionar por que os oficiais envolvidos não serão criminalmente processados. No tribunal da cidade de Westminster, os advogados do Serviço Metropolitano de Polícia (MPS, na sigla em inglês) entraram formalmente com uma petição de inocência para a acusação feita sob a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho, de 1974. A audiência preliminar do caso está marcada para o dia 16 de janeiro de 2007.
"Esse indiciamento se baseia nas ações e decisões de oficiais isolados, nas circunstâncias extraordinariamente difíceis de 22 de julho de 2005. Não foram atos criminosos de nossos oficiais e eles contam com o apoio do MPS. Há provas convincentes para defender esse caso. Encaramos o caso como um exemplo não apenas para o policiamento em Londres, mas para o serviço policial de todo o país. Também tem implicações para o público em geral, já que diz respeito à capacidade do corpo policial de proteger o público quando da realização de operações armadas. Também questionamos muito se a legislação de saúde e segurança ... é o 'veículo' correto para avaliar as ações de um serviço de emergência em relação a decisões durante operações policiais antiterroristas rápidas e arriscadas", acrescentou em nota, o MPS mais tarde.
Jean Charles de Menezes recebeu vários tiros na cabeça depois de entrar num trem do metrô londrino. Duas semanas antes, quatro suicidas haviam explodido bombas em trens do metrô e em um ônibus de Londres, matando 52 pessoas. A polícia disse que um ataque semelhante, na véspera da morte de Menezes, só fracassou porque as bombas falharam.
O Serviço de Promotoria da Coroa disse em julho que não havia provas suficientes para a condenação de algum oficial envolvido na morte do brasileiro. Mas afirmou que os "erros operacionais" representavam violações sob a Lei de Saúde e Segurança. O chefe da polícia londrina, Ian Blair, sofreu muitas críticas pelo episódio e foi pressionado a renunciar, o que não aconteceu.