As investigações sobre a atuação da quadrilha começaram em junho do ano passado, quando policiais civis prenderam sete pessoas em flagrante, por suspeita de envolvimento com a venda de drogas
Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro:
Policiais civis buscaram nesta sexta-feira cumprir 25 mandados de prisão contra suspeitos de integrar um grupo criminoso especializado na venda de drogas em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Além disso, os agentes cumpriram 10 mandados de apreensão de adolescentes. O grupo age nas comunidades Buraco do Boi e Aymoré. As investigações sobre a atuação da quadrilha começaram em junho do ano passado. Policiais civis prenderam sete pessoas em flagrante. Por suspeita de envolvimento com a venda de drogas e com a expulsão de uma moradora da comunidade.
A partir daí, foi possível identificar as principais lideranças da quadrilha. Outros integrantes do grupo. Além disso, foi descoberto um esquema de pagamento de propina a PMs do Batalhão de Nova Iguaçu e a um policial civil.
A operação da Delegacia da Posse (58ª DP), contou com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual.
A operação da quadrilha e a participação dos policiais ficaram comprovadas no inquérito. Conduzido pela polícia, que utilizou interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. De acordo com a denúncia apresentada pelo GAECO. Os policiais recebiam dinheiro para não combater o tráfico de drogas na região. Os agentes também forneciam informações privilegiadas sobre operações programadas.
Entre os alvos estão policiais militares lotados no 20º BPM (Mesquita) e um policial civil, lotado na 56ª DP (Comendador Soares). A investigação apontou, ainda, que o líder da quadrilha é Alvaro Malaquias Santa Rosa (vulgo Peixão) e Jorge Diego Cardozo Martins, homem de confiança e líder nas comunidades do Buraco do Boi e Aymoré.
Outra liderança identificada é Rodrigo Ribeiro da Silva. Com influência tanto em Vigário Geral, como também nas comunidades do Inferninho e Três Campos. Entre os demais denunciados estão gerentes, auxiliares, entre outros.
Foram identificadas 10 crianças e adolescentes que atuavam como vapores, olheiros e sintonias (os últimos. Responsáveis pelo contato com policiais para pagamento de propina). O MP, por meio da Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude de Nova Iguaçu, encaminhou à Justiça uma representação socioeducativa pela prática de fatos análogos a associação para o tráfico de drogas e corrupção ativa. Também foi deferida a apreensão dos jovens e a decretação da internação provisória.
Conduta dos policiais
A denúncia aponta que o traficantes realizavam um pagamento semanal aos PMs, às sextas-feiras, sábados e domingos. Para o policial civil, às terças-feiras. A entrega da propina era feita no interior da comunidade. Em postos de gasolina ou dentro dos próprios DPOs para posterior repartição entre os policiais envolvidos.
Os valores chegavam a R$ 70 mil. Os DPO´s recebiam R$ 9 mil por semana, em parcelas de R$ 3 mil cada sexta, sábado e domingo. Cada equipe do GAT recebia R$ 5 mil por semana e a P2 recebia R$ 3 mil por semana. Já o policial civil recebia R$ 3 mil por semana, segundo as investigações.
Os policiais militares e o civil vão responder pelos crimes de organização criminosa. Será extraída cópia da denúncia a ser remetida para a Promotoria de Justiça de Auditoria Militar que deverá apurar o crime de corrupção passiva dos PMs. O policial civil vai responder na Justiça pelo crime de corrupção passiva e os traficantes por associação para o tráfico e corrupção ativa.