Vinte agentes da Delegacia de Defraudações (DDef) cumpriram, nesta terça-feira, mandados de busca e apreensão em seis endereços de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, entre eles a Câmara Municipal e a casa do vereador Wilson Carvalho (PSC). O vereador e presidente da Comissão de Saúde do município é acusado de fraudar receitas médicas e encaminhamentos cirúrgicos em troca de votos. O advogado de Wilson de Carvalho, Paulo Cesar Cunha, rebateu as acusações feitas ao seu cliente, atribuindo a uma manobra política de opositores as denúncias de que o vereador falsificava receitas e encaminhamentos médicos para o Hospital Municipal de Nova Iguaçu.
Segundo o titular da Delegacia de Defraudações (DDef), Robson da Costa Ferreira, foi apreendido material suficiente para continuar as investigações, e tudo indica que há evidências de envolvimento do vereador nos crimes de falsificação, possível exercício ilegal da medicina e crime eleitoral.
"Apreendemos dentro da casa do vereador um livro com o cadastro de todas as doenças, identidades, CPFs, títulos de eleitor e vários receituários, muitos em branco, além de centenas de cartões do SUS em branco. Apelidamos inclusive de Kit Saúde, já que todas as fichas encontradas são montadas com o cartão do vereador, título de eleitor, comprovante de residência, o receituário e o cartão do SUS", contou o delegado.
Após ser acordado pelos agentes, o vereador Wilson Carvalho chegou à Câmara Municipal de Nova Iguaçu falando alto e negando as acusações.
As investigações partiram de uma denúncia feita à Corregedoria da Polícia Federal, em setembro do ano passado. Segundo o delegado Robson Ferreira, o atual presidente da Comissão de Saúde estaria usando o nome de um outro médico nas receitas que entregava às pessoas tanto em seu gabinete, na Câmara Municipal, quanto em centros sociais da cidade. Ainda segundo a polícia, o médico não sabia que seu nome e registro estavam sendo utilizados.
Ainda segundo o delegado, como o vereador não enganava as pessoas sobre sua profissão, ele não pode responder por exercício ilegal da profissão.
Robson Ferreira explicou ainda que, se ficar comprovado que o político trocava as receitas e encaminhamentos médicos em troca de votos, o caso será encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para a investigação de crime eleitoral.
"A investigação sobre a possibilidade de crime eleitoral será encaminhada ao TRE. No entanto, não concluímos o inquérito por cumprir esses mandados de busca e apreensão. Há ainda suspeita inclusive de homicídios, o que ainda está em fase inicial. Vamos apurar ainda se havia a conivência de médicos ou funcionários do Hospital de Nova Iguaçu no encaminhamento dessas pessoas para as cirurgias realizadas após o encaminhamento do vereador, com o auxílio de seu assessor, Jorge Coronel, que ainda investigamos se trata-se um policial militar ou bombeiro", concluiu o delegado.