As investigações do roubo de R$ 2 milhões do cofre da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), na sede da Polícia Federal, na Praça Mauá, vão receber a colaboração da Polícia Civil. O delegado José Renato Torres, disse que a corregedoria e a 16ª DP (Barra da Tijuca) vão investigar a morte do empresário João Dirceu Lacerda, que pode ter sido assassinado por três dos suspeitos do roubo na PF, entre os quais um policial civil. Os R$ 2 milhões tinham sido apreendidos na Operação Caravelas, que desarticulou uma quadrilha que tentava mandar cocaína em peças de carne para a Europa.
A corregedoria da PF informou que a quadrilha seria formada por um agente federal, um policial civil e um outro homem, todos investigados pelo assassinato do empresário, que teria sido cometido perto do Autódromo de Jacarepaguá. Imagens desse crime, feitas pelo circuito interno de TV de um shopping, já teriam sido enviadas à perícia, em Brasília.
A polícia vai investigar agora se os dois casos estão relacionados, já que existem indícios disso. Em 14 de março do ano passado, João Dirceu, de 52 anos, foi morto com cinco tiros, na Avenida Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca. Ele era dono de um mercado no Shopping Jóia, na Barra. Segundo Michel Assef, advogado da vítima na época, um ex-advogado do empresário chegou a ser apontado como suspeito.
De acordo com Assef, porém, João Dirceu relatou a algumas pessoas que vinha sendo ameaçado por policiais federais. Dias antes de morrer, ele prestara depoimento na PF, pois era acusado de ter se apropriado de dinheiro da Caixa Econômica Federal. João era dono também de casas lotéricas.
- João disse, não a mim, mas algumas pessoas me contaram, que teria sido vítima de uma tentativa de extorsão, cometida por um delegado federal. Não sei como ficaram as investigações. Dias após a morte de João, um de seus filhos me procurou, pagou os meus honorários e disse que a família estava com muito medo e sem interesse de prosseguir com as investigações.
Segundo o subchefe de Polícia Civil, ainda não houve contato da PF pedindo ajuda no caso, mas garantiu que a polícia está à disposição.
- Tomei conhecimento desse fato pela imprensa. Já determinei que o corregedor da Polícia Civil, delegado Paulo Passos, levante o caso - disse José Renato.
Apesar de a Polícia Civil entrar no caso e estar à disposição para investigar o crime da Barra da Tijuca, o superintendente da PF do Rio, delegado José Milton Rodrigues, desmentiu no domingo as informações de que três integrantes da quadrilha já estariam identificados. Segundo ele, existem hoje na PF do Rio grupos antagônicos.
- Não tenho informações sobre esse fato. Infelizmente, dentro da polícia existem grupos antagônicos, que divulgam notícias que não são verdadeiras- afirmou o superintendente da PF.
A informação de que a corregedoria teria identificado três suspeitos do furto dos R$ 2 milhões dos cofres da PF também foi negada oficialmente no domingo pelo corregedor da PF, delegado Victor Poubel. Ele garantiu que a corregedoria não está trabalhando nessa linha de investigação.
- Ainda vou me reunir com o superintendente da PF para conversarmos. Temos várias linhas de investigação, mas que não podem ser divulgadas - acrescentou ele.
No fim de semana, o superintendente da PF, que chegou da Alemanha no sábado, conversou por telefone com o diretor-geral da PF, delegado Paulo Lacerda. Segundo ele, o superintendente-geral o informou de toda a linha de investigação sobre o furto do dinheiro. Paulo Lacerda já retornou a Brasília, de acordo com sua assessoria, e deve se reunir novamente, durante esta semana, com José Milton.
- O diretor-geral me deu orientações sobre o fato. Agora, a Polícia Federal está colocando todos os recursos disponíveis para desvendar os fatos - garantiu o superintendente.
Polícia Civil investiga relação de morte de empresário com roubo na PF
Segunda, 26 de Setembro de 2005 às 08:33, por: CdB