A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) fez, nesta quinta-feira, uma operação para desarticular a milícia Águia de Mirra. O grupo é comandado pelo ex-policial militar Fabrício Fernandes Mirra. Os agentes cumpriram 27 mandados de prisão.
A Draco passou um ano investigando a milícia e busca sete policiais militares e um bombeiro militar, indiciados pela participação no grupo paramilitar: Sandro Ricardo da Silva, Valtair Sampaio, Denilson Menezes, Sérgio Roberto Gurgel, Luis Carlos Vieira, Luis Guimarães (bombeiro), Luiz Roberto Rosa e Marinaldo Tomaz.
As buscas aconteceram em bairros das zonas Norte e Oeste do Rio e na Baixada Fluminense. Os mandados foram expedidos pela 21ª Vara Criminal da Capital. Os envolvidos foram indiciados por homicídio, formação de quadrilha, roubo e porte ilegal de arma de fogo. Entre os presos, está Ronaldo Julio Peterson de Freitas, detido em um condomínio em Anchieta.
De acordo com as investigações, a milícia pagava salário aos seus soldados, nome do cargo inicial de quem ingressava no grupo. Por semana, cada miliciano de pequena expressão recebia de R$ 150 a R$ 250. Fabiano Vieira da Rocha, o Fabi, um dos mais cruéis da quadrilha , entregava aos capangas, no mínimo, um revólver calibre 38 e uma pistola 40 milímetros. Segundo o setor de inteligência da delegacia, as armas usadas eram dos traficantes que fugiam ou morriam em conflitos com os milicianos. De acordo com testemunhas, a milícia tinha em seu poder mais de 50 granadas e armamento pesado, como fuzis 762 e 556, um fuzil M16 e um fuzil AK 47
Fabiano Vieira da Rocha, o Fabi, teve a participação na milícia de Mirra destacada por algumas testemunhas que prestaram depoimento durante a investigação da Draco. Um ex-miliciano, que diz ter sido armeiro da quadrilha em novembro de 2007, no Morro do Dezoito, em Quintino, afirmou que Fabi aproveitava os confrontos de traficantes das favelas vizinhas. Quando a guerra resultava em mortes, Fabiano Vieira ordenava que os corpos que estivessem em valões fossem recolhidos, esquartejados e queimados. Depois, eram enterrados ao lado das torres de energia elétrica.
Um dos crimes chocou até os companheiros de milícia. Fabiano desconfiou que uma adolescente de 17 anos, moradora do Morro dos Macacos que visitava uma tia no Morro do Dezoito, estava passando informações para traficantes e estuprou a menor. Um de seus comparsas matou a jovem com um tiro de fuzil 762. Ela foi esquartejada, queimada e enterrada na caixa d' água.