O chefe da polícia de Londres, Ian Blair, disse nesta sexta-feira que está confiante em encontrar uma ligação entre a Al Qaeda e os militantes suicidas que mataram 54 pessoas na quinta-feira passada na cidade.
Alertando que um novo ataque é "uma forte possibilidade", Blair disse que a perseguição agora é aos financiadores do atentado e aos fabricantes das bombas entregues aos jovens que cometeram o primeiro ataque suicida coordenado na Europa Ocidental.
Três dos quatro jovens que se explodiram no metrô e em um ônibus, todos muçulmanos nascidos na Grã-Bretanha, vinham da cidade de Leeds, no norte da Inglaterra, onde a polícia já descobriu desde então grandes quantidades de explosivos em propriedades relacionadas aos militantes.
A imprensa diz que os explosivos são similares aos usados em outros ataques da Al Qaeda. Blair disse que essa hipótese é viável e que é hora de os líderes muçulmanos do país pararem de negar a existência na comunidade de extremistas "lunáticos" que tentam atrair jovens suscetíveis.
- O que esperamos encontrar em algum estágio é que há uma clara ligação com a Al Qaeda, a clara abordagem da Al Qaeda - disse Blair à rádio BBC.
Descrevendo os quatro suicidas como "soldados de infantaria", Blair disse que o importante é "descobrir quem os encorajou, quem os treinou, quem é o químico".
- A Al Qaeda não age como uma clássica célula do (escritor) Graham Greene. Tem afiliações muito tênues, e temos de encontrar os banqueiros, os químicos e os treinadores, todas as pessoas que estavam assistindo isso - disse ainda Blair.
Ele confirmou que a investigação se espalhou pelo mundo.
- Há uma conexão paquistanesa e também há conexões em outros países - afirmou, sem especificar.
Blair considerou os ataques como o maior ato isolado de assassinatos em massa da história britânica moderna.
Citando fontes próximas à investigação, a BBC disse que o explosivo usado era o TATP (triperóxido de triacetona), que é altamente instável e fabricado a partir de ingredientes facilmente acessíveis.
A emissora disse que o material, encontrado em Leeds, seria similar ao usado pelo "homem do sapato-bomba", Richard Reid, que foi preso em 2001 quando se preparava para explodir um avião.
A BBC disse ainda que a polícia está caçando um estudante egípcio de Química que vivia em Leeds e fugiu de casa pouco antes das explosões. De acordo com a rede, um homem ligado à Al Qaeda, cujo nome aparece em uma lista especial, entrou na Grã-Bretanha há duas semanas e saiu dias antes do ataque.
Ele não foi posto sob vigilância especial porque não era considerado de alto risco.
- Com este homem em particular não há nada no momento que o ligue diretamente - disse Blair.
Blair defendeu iniciativas junto aos 1,6 milhão de muçulmanos da Grã-Bretanha para que esse grupo colabore na erradicação do extremismo.
- Precisamos que eles nos contem quem realmente são os pregadores do ódio, quem são os recrutadores dos vulneráveis, que mudanças ocorreram no padrão de comportamento das pessoas - ressaltou.
A policia admite estar intrigada com os últimos 81 minutos da vida de Hasib Hussain, que aparece em granuladas imagens de um circuito fechado de TV no dia do ataque.
Às 7h20, ele foi visto na estação Luton, no norte de Londres. Usava uma jaqueta informal, calça jeans e uma sacola, na qual supostamente estaria a bomba. Ele aparece rindo com os outros três militantes, que se distribuíram pelas estações do metrô.
A polícia ainda não sabe o que levou Hussain a se desviar de seu alvo original e atacar um ônibus de dois andares.