Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Polícia britânica mantém ordem de "atirar para matar"

Segunda, 25 de Julho de 2005 às 06:11, por: CdB

Temendo novos ataques, a polícia britânica manteve nesta segunda-feira as buscas por quatro suspeitos de envolvimento nas explosões de quinta-feira passada em Londres, identificados graças a imagens de câmeras de segurança.

Os suspeitos tentaram detonar bombas em três trens do metrô e em um ônibus na quinta-feira, exatamente duas semanas depois que atentados iguais, porém mais potentes, mataram 52 pessoas na cidade.

A polícia londrina tenta se voltar novamente para a maior caçada humana da sua história, depois de ter matado por engano um eletricista brasileiro confundido com um militante suicida numa estação do metrô.

Uma porta-voz policial disse que os militantes "podem atacar outra vez, então apanhá-los é uma corrida contra o tempo".

- Não há razão para acreditar que eles deixaram o país. Eles podem estar abrigados em casas seguras - disse ela, acrescentando que o inquérito está avançando rapidamente.

As explosões desencadearam frequentes alertas de segurança em Londres, com os usuários dos transportes alarmando-se diante de pacotes abandonados ou pessoas com comportamento suspeito.

Os jornais do fim-de-semana estiveram recheados com as imagens granuladas de circuitos fechados de TV, que mostravam os quatro suspeitos. A polícia pediu ajuda do público para localizá-los.

A polícia não quis confirmar os rumores de que um quinto militante estaria à solta. No sábado, os policiais encontraram o que poderia ser uma quinta bomba, abandonada na zona noroeste da cidade.

Mas a investigação sofreu um golpe e a reputação da polícia britânica foi gravemente abalada pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, provocada na sexta-feira por agentes que caçavam os autores do ataque.

Menezes levou cinco tiros na cabeça depois de ser perseguido até um trem do metrô por policiais à paisana, segundo testemunhas.

A polícia disse que Menezes foi seguido de um conjunto habitacional, na zona sul, que estava sob vigilância desde os atentados de 21 de julho. Ele teria sido baleado depois de ignorar as ordens policiais para parar.

O governo brasileiro exigiu uma investigação sobre a morte do eletricista mineiro. Brasileiros realizaram uma manifestação em Londres, e parentes dele disseram que estudam a hipótese de processar a polícia britânica.

Apesar das preocupações dos ativistas de direitos humanos, a polícia disse que não vai abandonar a tática de "atirar para matar." As autoridades alertaram que mais gente pode ser morta na operação.

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostrou que 71% dos britânicos defendem essa tática, que prevê disparos letais na cabeça de suspeitos, e não no peito.

O ministro do Interior, Charles Clarke, disse que "claramente houve um erro, o qual lamentamos", mas que "isso não significa que seja errado ter uma política para lidar com estas circunstâncias assustadoras."

De acordo com pesquisa divulgada pelo jornal Daily Mirror, os britânicos acreditam que o envolvimento do país na guerra do Iraque contribuiu com os atentados em Londres, hipótese que o primeiro-ministro Tony Blair rejeita. Quase um quarto dos entrevistados disse que o Iraque fora a principal causa dos ataques. Para 62%, foi um fator que contribuiu.

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