Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2026

Polícia boliviana resgata ministros seqüestrados

Quarta, 19 de Abril de 2006 às 11:22, por: CdB

A polícia boliviana libertou, na madrugada desta quarta-feira, os três ministros do governo do presidente Evo Morales feitos reféns por moradores da cidade fronteiriça com o Brasil de Puerto Soares, informou a imprensa local. A rádio católica Fides afirmou que os ministros, que estavam retidos desde a tarde desta terça-feira na cidade, foram resgatados em uma operação "relâmpago" e pacífica. Os ministros foram levados em um avião militar a La Paz.

Eles haviam sido enviados por Morales para a região a fim de explicar o rechaço do governo a um projeto siderúrgico estrangeiro na fronteira.

Seqüestro

O governo da Bolívia denunciou que três de seus ministros foram seqüestrados por moradores da região de fronteira com o Brasil. Eles exigem a legalização de uma siderúrgica estrangeira no local. Os ministros do Planejamento, Carlos Villegas, de Desenvolvimento Econômico, Celinda Sosa, e de Mineração, Walter Villarroel, foram declarados reféns em Puerto Suárez, no extremo sudeste do país, informou o ministro da Defesa, Walker San Miguel, segundo a agência de notícias oficial, ABI.

Emissoras de rádio locais indicaram que a manutenção dos ministros como reféns ocorreu ao anoitecer, sem violência, e que os funcionários passaram a noite vigiados por líderes dos manifestantes. Os moradores de Puerto Suárez exigem ainda que se garanta a licitação da vizinha jazida de ferro de Mutún, um dos maiores do mundo, que está prevista para maio.

Segundo a ABI, San Miguel afirmou que o governo não atenderá a demanda dos moradores de autorizar o funcionamento de uma siderúrgica do grupo brasileiro EBX na cidade. O governo alega que isso seria inconstitucional. Segundo ele, os ministros foram enviados a Puerto Suárez pelo presidente Evo Morales para explicar a instalação da siderúrgica viola uma lei que proíbe propriedades estrangeiras numa faixa de 50 km da fronteira.

- Para o governo é definitivamente inaceitável negociar, violar a constituição - disse San Miguel.

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