Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

POLÍCIA BOLIVIANA ANUNCIA QUE IMPEDIRÁ AVANÇO DE MARCHA INDÍGENA

Terça, 13 de Setembro de 2011 às 06:44, por: CdB

LA PAZ, 13 SET (ANSA) - A polícia da Bolívia anunciou hoje que impedirá o avanço da marcha indígena que se dirige à capital, La Paz, em protesto contra a construção de uma estrada financiada pelo Brasil e que cortará a maior reserva florestal boliviana.
   
De acordo com o chefe de Planejamento de Operações da polícia, Carlos Flores, o objetivo do bloqueio é evitar "enfrentamentos" entre indígenas e agricultores governistas, que já ameaçaram desmantelar a marcha.
   
"Não estamos vindo para reprimir esta marcha. Estamos dispostos a dialogar. Ao vamos lhes permitir avançar, porque não queremos enfrentamentos", explicou Flores.
   
A marcha dos indígenas bolivianos começou com 600 pessoas e, agora, já conta com mais de 1.700 participantes e encontra-se em San Isidro de la Embocada, localidade entre as cidades de San Borja e Yucumo, a 380 quilômetros a noroeste de La Paz e a 20 quilômetros do local onde os agricultores os esperam.
   
Já na tarde de ontem as forças de ordem levantaram uma barreira entre as duas cidades como um "exercício preventivo antidistúrbios". Foram deslocados cerca de 300 policiais e o prefeito da cidade, Rosendo Chura, anunciou garantias aos manifestantes.
   
Os agricultores, por sua vez, cavaram uma vala e bloquearam a estrada com troncos de árvores e capôs de automóveis, a 2 quilômetros de Yucumo.
   
Eles exigem que os indígenas aceitem o projeto de rodovia que cruzará o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis).
   
Os grupos indígenas, porém, reiteraram que, apesar da ameaça, manterão a marcha caso amanhã o chanceler boliviano, David Coquehuanca, de origem camponesa, não se apresente para negociar em nome do governo.
   
Movimentos e organizações sociais pediram ao governo que evite enfrentamentos e solicitaram ao presidente Evo Morales que dialogue com os indígenas, que têm recebido apoio de cada vez mais setores da sociedade.
   
A pressão social levou ontem o governo a nomear Coquehuanca como negociador oficial junto aos manifestantes. O ministro deve chegar hoje a La Embocada para dialogar com os indígenas.
   
Os cerca de 90 mil índios de diversas etnias que moram na região temem que a construção da parte 2 da rodovia, prevista para ligar as cidades de Villa Tunari, em Cochabamba, e San Ignacio de Moxos, em Beni, prejudique a caça e a pesca na região e destrua suas culturas e seu habitat.
   
A estrada tem como objetivo facilitar o transporte de produtos para a região oeste do país e facilitar a exportação. O custo do projeto é de US$ 410 milhões, dos quais US$ 350 milhões serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil. Sua construção está a cargo da empreiteira brasileira OAS, que venceu a licitação em 2008. (ANSA)


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