A polícia fechou o cerco à Penitenciária de Urso Branco, a maior de Rondônia, onde nove presos morreram em decorrência de uma rebelião e de enfrentamentos entre grupos rivais. Os presos amotinados começam a sentir o corte de alimentação, água e energia, disse a polícia nesta quinta-feira.
- Eles estão caçando gatos, mas não há muitos para alimentá-los - disse o tenente da Polícia Militar Carlos Alberto Teixeira por telefone.
Nesta quinta-feira, cinco presos se entregaram à polícia e abandonaram a rebelião. No dia anterior, apesar do anúncio de um princípio de acordo, as negociações fracassaram quando os presos recusaram as ofertas das autoridades.
- Não querem negociar, o que querem é fugir. Mas não conseguirão. Temos forças suficientes cuidando da prisão - disse o tenente Teixeira.
Ele disse que foram descobertos três túneis que os presos estavam construindo e que abandonaram depois que blindados se aproximaram dos muros da prisão. A rebelião se tornou sangrenta depois que nove presos morreram em choques entre grupos rivais. Alguns presos foram esquartejados e decapitados e os corpos e cabeça foram expostos nos muros do presídio.
A rebelião começou na sexta-feira, quando 850 presos se rebelaram na prisão, na cidade de Porto Velho, exigindo a saída do diretor do presídio, entre outras reivindicações. Cinco mulheres familiares dos presos, que estão de fora da prisão, decidiram participar da comissão que tenta negociar com os detentos, acrescentou Teixeira. O presídio foi construído para 360 presos, mas tem quase 1.100 detentos.
Má referência
Em 2002, este mesmo presídio foi palco de uma rebelião que terminou com 27 mortos devido a choques entre grupos rivais depois de uma tentativa de fuga fracassada. A comissão da OEA destacou que nessa época pediu ao governo brasileiro que "adotasse as medidas que fossem necessárias para proteger a vida e a integridade de todas as pessoas reclusas na Penitenciária de Urso Branco, sendo uma delas a apreensão das armas que se encontram em poder dos detentos'', disse o documento.