A ação movida pelo cineasta Roman Polanski, de 71 anos, contra a revista americana <i>Vanity Fair</i> começou a ser julgada nesta segunda-feira, em um tribunal de Londres. Com o objetivo de evitar sua extradição para os Estados Unidos, ele participa através de videoconferência a partir de Paris, abrindo um precedente legal.
O diretor processa os editores da <i>Vanity Fair</i> por um artigo publicado em julho de 2002, em que o cineasta é acusado de tentar seduzir uma jovem sueca num restaurante de Nova York quando estava a caminho do funeral de sua mulher, Sharon Tate, assassinada em Los Angeles no ano de 1969, por seguidores de Charles Manson.
Premiado com o Oscar de melhor diretor por <i>O Pianista</i>, em 2003, Roman é acusado de abuso sexual de menor nos Estados Unidos, país que pediu sua extradição.
O Supremo Tribunal da Grã-Bretanha, onde existe uma ordem de prisão internacional contra o cineasta, permitiu que ele comparecesse ao julgamento por meio de uma videoconferência desde um hotel parisiense.
Diante do júri, formado por nove homens e três mulheres, o juiz destacou que abre um precedente legal. - Estamos fazendo história - explicando que esta é a primeira vez que um demandante participa de um julgamento por calúnia por meio de uma videoconferência.
Cidadão francês, nascido na Polônia, Polanski declarou-se culpado, em 1977, nos Estados Unidos, de manter relações sexuais com uma jovem de 13 anos, mas fugiu para a França - de onde não pode ser extraditado, por ser cidadão francês - sem esperar a sentença. O cineasta nunca voltou aos Estados Unidos, tampouco viajou para a Grã-Bretanha.
Segundo a <i>Vanity Fair</i>, o incidente no restaurante aconteceu pouco depois do assassinato da mulher de Polanski, Sharon Tate, grávida de oito meses, o que o cineasta nega. A revista publicou que Roman estava no exterior quando Sharon foi assassinada, voltou para os Estados Unidos via Nova York e, a caminho do enterro, tentou seduzir a jovem, quem teria prometido transformar em "outra Sharon Tate".
- Isso é mentira, uma mentira abominável - afirmou o diretor, enxugando uma lágrima ao lembrar da mulher, que disse ter sido "perfeita". O cineasta contou que não conseguiu ter um relacionamento duradouro com mais ninguém após a morte de Sharon, e que suas relações sexuais, muitas delas com jovens, o ajudaram a continuar vivendo.
- Meu amor por Sharon foi tão verdadeiro e sincero quanto pode ser o amor - disse.
A revista disse que o conteúdo do artigo é verdadeiro, mas admitiu que o caso não aconteceu quando Polanski estava a caminho do enterro, e sim duas semanas depois, no fim de agosto.
O juiz lembrou que o processo não diz respeito ao caso abuso de menor, tampouco à vida de relacionamentos pouco tradicionais do cineasta.O julgamento deve durar de cinco a 10 dias.
A atriz Mia Farrow, estrela de <i>O Bebê de Rosemary</i>, um dos filmes mais conhecidos de Polanski, deverá depor em favor do cineasta.