Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Pokémon Go é máquina de coleta de informações, alerta especialista

A comissária para a privacidade no Estado alemão de Schleswig-Holstein, Marit Hansen, lançou um alerta sobre o Pokémon Go.

Sábado, 06 de Agosto de 2016 às 09:36, por: CdB

Aplicativo armazena informações "exatas e detalhadas" sobre cada movimento do usuário e pode condicionar o comportamento do consumidor, afirma comissária alemã para privacidade

Por Redação, com DW - de Berlim:   A comissária para a privacidade no Estado alemão de Schleswig-Holstein, Marit Hansen, lançou um alerta sobre o Pokémon Go. Em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt publicada na sexta-feira, Hansen afirmou que o jogo armazena dados "exatos e detalhados" de cada movimento dos usuários pelas ruas.
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Nos EUA, a mania Pokémon Go levou pessoas a andar em quintais, calçadas, cemitérios e até mesmo em estacionamentos policiais
– É uma máquina gigante de coleta de dados – disse, acrescentando que o aplicativo de realidade aumentada, além de espionar, também pode condicionar o comportamento do consumidor. A Niantic, empresa baseada na Califórnia e que ajudou a desenvolver o jogo, não buscou apenas acesso a câmeras e microfones, mas também disponibilizou uma ferramenta de marketing para "deliberadamente orientar" os usuários do jogo aos chamados "Pokestops" em estabelecimentos comerciais, afirmou Hansen. A especialista em política de privacidade apontou também para a falta de controles legais, repetindo diversas advertências recentes sobre o aplicativo feitas em Nova York, na Austrália e nos Emirados Árabes Unidos. – Como o jogo utiliza um provedor de fora da Europa, não temos o apoio jurídico para agir – disse Hansen, referindo-se às disputas entre União Europeia (UE) e os EUA sobre a transferência de dados transatlânticos e a cooperação da Niantic com o Google Maps. No mês passado, a Federação das Associações Alemãs de Consumidores (VZBV, na sigla em alemão) disse que contestou 15 cláusulas dos termos de uso e privacidade da Niantic, dando à empresa norte-americana até a próxima terça-feira para responder. Caso a Niantic não se pronuncie, a VZBV advertiu levar o caso a um tribunal.

"Era do controle total"

O editor-adjunto do Handelsblatt, Thomas Tuma, disse em seu editorial desta sexta-feira: "Pokémon Go é o ponto de partida para uma nova era de controle total." Em apenas três semanas, 75 milhões de pessoas baixaram o aplicativo, "todas sem terem sido forçadas ou mostrado resistência", disse Tuma. – Fisgados, porque é inicialmente gratuito, temos de pagar mais do que nunca com os nossos dados – incluindo nossas listas de amigos, acrescentou Tuma. O jogo, lançado no Brasil na noite da última quarta-feira, envolve diversos problemas graves, alerta o editor, porque todos os "monstrinhos são os cavalos de Troia com os quais a indústria da Internet abre o caminho para nossas cabeças e nossas carteiras". "Nós, os usuários, estamos sendo explorados", disse. "Os que estão sendo capturados somos nós mesmos."

Campo fértil para criminosos

Na segunda-feira, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, ordenou que o departamento correcional proibisse que os cerca de três mil criminosos sexuais do estado usassem o Pokémon Go. Uma das ferramentas do jogo, que permite aos usuários colocar iscas para atrair jogadores a locais específicos, possui o potencial de ser usada por "predadores" em busca de crianças, afirmou Cuomo. Em seu site, a Niantic diz que os usuário não podem ter menos de 13 anos de idade para jogar seus jogos. Nos EUA, a mania Pokémon Go levou pessoas a andar em quintais, calçadas, cemitérios e até mesmo em estacionamentos policiais, sempre em busca dos monstros do famosos desenho animado Pokémon. Nos Emirados Árabes Unidos, há duas semanas, a autoridade de telecomunicações TRA alertou os usuários para não ativarem as câmeras de seus celulares em casa ou em outras áreas privadas. E na Austrália, a polícia comunicou que um casal foi ameaçado com uma arma num parque ao sul de Sydney.
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