Crescem a crise política e a tensão nos países arábes e no Oriente Médio, bem como a intensidade e violência da repressão e o número de mortos. Por mais que a situação aparentemente seja diferente de país a país, ela segue sempre um mesmo script e inevitavelmente vai se encaminhando para o fim das ditaduras e regimes de força vigentes há décadas na região.
Na Líbia, com os últimos números indicando já haver mais de 230 mortos nos conflitos entre oposição e governo, o filho do ditador Muamar Kadhafi (no poder há 42 anos) foi a TV e prometeu reforma, nova Constituição e mais autonomia para regiões do país.
Mas, declarou, também, que seu pai ordenou às forças de segurança que restaurem a ordem "a qualquer custo". Pediu a população que acate as ordens, do contrário será a "guerra civil" - clima, aliás, vivido pelo país já há cinco dias, desde que começaram lá os conflitos.
Na TV filho de Kadhafi faz promessas e ameaças
A ida do filho de Kadhafi à TV parece um epílogo - Hosni Mubarak o ditador que mandou no Egito por 30 anos, também foi à TV na véspera de sua renúncia dizer exatamente que não renunciaria. As últimas informações chegadas da Líbia dão conta, segundo a Federação de Direitos Humanos, de que os manifestantes assumiram controle de duas cidades estratégicas, Benghazi e Syrta, abandonadas pelos militares.
Na Argélia, a polícia reprimiu com violência protesto de estudantes e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) cancelou o GP do Bahrein de F-1 este ano. O Marrocos também, entrou em convulsão com gigantescos protestos de manifestantes que pedem mudanças.
No Bahrein a situação está cada vez pior. o governo já retirou o Exército da praça La Perla, a principal da capital, Manama, ocupada há vários dias pelos manifestantes, e terá que negociar. Não adiantou a repressão á base de tanques de guerra. O mesmo vai acontecer em todos os países conflagrados.
Ou mudam agora, ou mudam num futuro próximo
O Bahrein é um dos países mais estratégicos geopoliticamente para os Estados Unidos na região. Eles sediam ali a sua V Frota, com a qual defendem seus interesses econômicos na região e vigiam os países árabes, todos os demais do Oriente Médio e o Golfo Pérsico.
O quadro, portanto, é de muita repressão e crescimento da oposição, num movimento que se alastra por todos os países árabes. A situação, aliás, está demonstrando que não há outro final para este script: ou estes países mudam agora, ou mudam daqui há alguns anos. Não têm outro caminho, não há como manter a atual estrutura de poder mais em nenhum pais árabe.
Poder atual não sobrevive em países árabes
Segunda, 21 de Fevereiro de 2011 às 08:35, por: CdB