A força multinacional interina que o Conselho de Segurança das Nações Unidas quer enviar ao Haiti terá uma duração de três meses, em vez dos dois propostos inicialmente. O acréscimo veio em resposta às preocupações do secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
O envio da força para ajudar a estabilizar o país foi proposto pelo chamado grupo de 'Amigos do Haiti' (EUA, França, Canadá, Chile, Brasil e os países da Comunidade do Caribe) que, segundo informaram fontes diplomáticas, aceitaram o conjunto das emendas propostas por membros do organismo.
Annan, que participou ontem das consultas do Conselho, ressaltou em sua saída da reunião a necessidade de estabelecer 'um calendário realista', o que supunha a manutenção da força interina durante três ou quatro meses.
O diplomata se disse estar 'extremamente contente' já que o Conselho de Segurança reagiu com rapidez à nova situação, depois da renúncia à presidência de Jean Bertrand Aristide, que partiu para o exílio, e a designação do até agora presidente do Tribunal Supremo, Boniface Alexandre, como presidente interino.
Segundo Annan, a prontidão com que atuou o Conselho 'é um bom sinal' e demonstra que há 'vontade política'.
No entanto, a possibilidade de que o Conselho decida, como tudo parece indicar, a criação de uma nova missão de paz preocupa a Secretaria da ONU, pela pressão que exercerá sobre recursos já limitados.
O responsável de operações de paz da ONU, Jean Marie Guehenno, lembrou que há 19 missões destacadas atualmente e ressaltou a dificuldade de enfrentar todos os problemas ao mesmo tempo quando não se têm os recursos.
Além da força interina, o projeto de resolução que se espera seja adotado nas próximas horas prevê a criação de uma operação de paz, cujo mandato, estrutura e força deverão ser definidos pelo secretário-geral em um prazo de 30 dias.
A ONU já aprovou uma missão de manutenção da paz no Haiti em 1993, que, salvo um período de suspensão (entre outubro desse ano e até março de 1995), foi mudando de nome e funções até seu fechamento definitivo no ano 2000. Annan lamentou que não se tenham consolidado os esforços de então e que se tenha voltado à situação de há dez anos no Haiti.
Pode durar até três meses a intervenção militar no Haiti
Segunda, 01 de Março de 2004 às 00:24, por: CdB