Os moradores do tranqüilio distrito de Andes, a 14 Km de Bebedouro (381 Km a noroeste de São Paulo) andam assustados com os pequenos tremores de terra que vêm sacudindo a região. Desde 25 de fevereiro, cerca de 160 pequenos terremotos foram registrados no distrito de Andes. De acordo com geofísicos do IAG e da Unesp, que estão apurando o fenômeno, a transição de água entre as camadas de basalto é a hipótese mais provável para explicar os sismos.
Pela suspeita dos técnicos, poços mais profundos da região são uma espécie de canal que permite à água se deslocar entre uma camada e outra de basalto. As placas de basalto ficam a mais de 100 m de profundidade, depois da camada de arenito - a primeira a ser encontrada em Andes. O distrito tem 15 poços que atingem a camada de basalto, com profundidades de 117 m a 228 m.
- A perfuração de poços (...) sem a devida vedação parece permitir que a água escape (...) e alcance zonas sob tensão (...), diminuindo sua resistência e ocasionando a reativação de falhas ou fraturas na forma de pequenos sismos - diz um relatório feito anteontem pelos geofísicos Marcelo Assumpção, do IAG, e Tereza Higa shi Yamabe, da Unesp de Presidente Prudente.
Segundo Assumpção, a possibilidade, se confirmada, é rara. A maioria dos tremores, explica, decorre de pressões geológicas no subsolo, sem relação com a atividade humana.
Um fator que reforça a tese dos geofísicos é a sazonalidade. Os poços, em geral, não funcionam em período de chuvas, entre janeiro e maio. Foi justamente nesses meses, quando a água fica parada nos poços, sem bombeamento, que ocorreram os tremores em 2004 e 2005.
A comprovação depende de testes, chamados de perfilagens térmica e geofísica, que deverão ser feitos nos próximos meses.